02 maio, 2012

As "motivações" do Pingo Doce são todas elas muito amargas. Mas as pessoas não são parvas. Umas estão alheadas e as outras... As outra sairam à rua, onde a luta continua!


"...Para já temos o facto de estarmos perante a mais grave recessão 
desde o 25 de Abril de 1974 com dados apenas até 2011" (daqui)

Acordei hoje com uma interrogação insistente: o que as pessoas pensam ser o pensamento dominante? A (aparente) estupidez consumista ostentada, e repetida até à exaustão, pela imprensa escrita, rádio e televisão e prontamente apontada por todos os que não acreditam em nada? Os comportamentos confusos e oscilantes entre o alheamento, o desespero e o medo e a que poucos dão relevo? A disposição para a luta assente na esperança e em convicções, da qual os media fizeram um quase coro de omissões e os que em nada crêem recriminaram e minaram?   

A (aparente) estupidez consumista ostentada - Digo aparente, pois o quadro recessivo é expressivo. Muitos responderam por uma necessidade sentida. São muitos, mas querem fazer-nos querer que são mais do que realmente são... Mas olhemos as possíveis motivações do Pingo doce, quanto a mim válidas no seu conjunto:
  1. Escoar stocks - O dramático decréscimo do consumo, terá levado ao consequente decréscimo das vendas do grupo e, assim, à fraca rotação do stock. Havia que engendrar uma forma de os fazer escoar... 
  2. Uma operação de marketing de impacto assegurado - As coisas não estão fáceis para a grande distribuição (o pequeno comércio quase desapareceu) e a luta concorrencial afigura-se ir entrar num patamar de grande dificuldade senão mesmo de sobrevivência. Passar a mensagem solidária com os desfavorecidos foi uma manobra que terá resultado do ponto de vista da imagem...
  3. Uma forma de impor mais um horário, alargando a jornada de trabalho com o desaparecimento do feriado - Embora o grupo mantenha uma politica de "recursos humanos" cautelosa (mas autoritária), havia de prevenir reacções negativas à mudança resultante desta imposição. A "bondade" da campanha terá servido para resolver qualquer resistência interna...
  4. Apagar a memória - A JM não é um grupo qualquer. Compete-lhe defender a ideologia dominante, combater ou neutralizar tudo o que possa fortalecer os movimentos que defendam os interesses dos trabalhadores e a luta por um trabalho digno e com direitos. Apagar a memória do 1º de Maio não foi um objectivo secundário... 
Os comportamentos confusos e oscilantes entre o alheamento, o desespero e o medo - O alheamento é permito por uma vida isolada e que ainda se vai vivendo preenchida por pequenas diversões e alienações, que o salário (ainda garantido) vai assegurando. O desespero, esse, é inseparável do medo. Medo de tudo, medos vários. Do medo já se fala em muitos tons, mas um tom se destaca como ameaça aos que baseiam a governação na manutenção da incerteza, mãe de todos os medos: "Há quem tenha medo que o medo acabe"

Os que manifestam disposição para a luta assente na esperança e em convicções - Estive entre eles. Conheço-os. Uns lutam há muito e desde sempre. Outros chegaram à luta só com a esperança de quem luta sempre alcança. É diversa a esperança e são diferenciadas as convicções. Eu vejo, com optimismo, que há razões para acreditar na unidade. Falarei disso, mais tarde...