23 abril, 2011

Enquanto Jesus sai da cruz e jaz no sepulcro e muitos desistem de viajar para Acapulco, eu aproveito para publicar a minha sondagem...

Passou pouco mais de um ano sobre a publicação da minha última sondagem. Desde então muito se passou sem que nada de fundamental se tivesse alterado, até que, de repente, tudo ficou (aparentemente) diferente: Caiu o Governo; Veio o FMI e seus parceiros de negócio, resgatar a divida do País; A algazarra não se alterou, apenas subiu de tom. Pequenas coisas sem interesse nem novidade acontecem, trago-as aqui apenas para o caso de me enganar e elas poderem vir a ter real importância: uma o editorial do The New York Times a dizer que a Comunidade Europeia meteu, em Portugal, a Democracia na gaveta; outra, as declarações do Jerónimo a dizer que que as negociações são uma farsa, isto é, são da treta. Há, assim, razão para uma nova sondagem de opinião. A sondagem incluiu duas perguntas apenas: Como encara o futuro e qual o seu sentido de voto. O gráfico abaixo mostra expressivamente o estado de espírito dominante como resposta à primeira questão, por parte da maioria das classes inquiridas. A excepção situa-se nas classe C que anda às voltas com a leitura de imenso material (desde listas de deputados até aos manifestos publicados) para decidirem se estão tristes ou contentes, pois a situação não dá para serem indiferentes:

----------------------Imagens do estado de espírito de cada classe quanto ao futuro

---------------(as classes que alguns querem no "centrão" andam, aflitas, de jornais e papeis na mão)

Quanto à segunda questão: Qual o sentido de voto, vejamos os resultados e a sua análise:

  1. A classe A, cerca de 5,5%, isto é, todos, afirmam que não há nada que os rale, que os partidos principais se vão unir e o sentido da sua votação logo se verá na ocasião. Tendem para votar no CDS, porque... merece.
  2. A classe B, dos 11,9 %, a maioria está com Pedro Passos Coelho e o restante com Sócrates. Todos estão na maior pois não lhes passa pela cabeça que o Compromisso Nacional entre os principais partidos os deixe prejudicados (leia-se prejudicados com efe grande, até para rimar). São os grandes animadores daquela petição.
  3. A classe C (C1, 24,9% + C2, 31%) andam numa roda vida e mal distribuída entre o Passos e o Sócrates. Em votação andam quase iguais, pouco afastados ou praticamente empatados. Lêem papeis e mais papeis. É que para atrapalhar a petição do tal Compromisso Nacional, chegaram mais duas e, ainda por cima Abril anda nas ruas. Uns dizem que a "Petição convergência nacional em torno do emprego e da coesão social" não vale a pena assinar porque dá azar. Outros dizem que assinam esta e a outra porque é tudo igual. E como não há duas sem três, aparecem agora os precários, esses ordinários, a dizer em manifesto que o "inevitável é inviável". Dói-lhes a cabeça de tanto pensar e nunca se sabe ao certo em quem irão votar...
  4. A classes D, 20,7% está mesmo à rasca. Já leu o que tinha a ler e não tem muito que saber. Maioritariamente votam à esquerda e o resto fica em casa. Mas estão todos em brasa. Por isso vão para a rua. Dizem que vão gritar: "A luta continua"

    Ficha Técnica: Foram inquiridos 9 milhões de portugueses, via telemóvel. Os desempregados viram as suas respostas anuladas para não dar um tom demasiado pessimista aos resultados globais. Foi aplicada uma metodologia assente nos critérios usados pela Marketest no que se refere ao dimensionamento das classes sociais. A análise de resultados segue metodologia própria que designada por Marketestista. Não tem nada de marxista embora, em sonância, o faça lembrar, apesar de fazer arranhar muito mais o aparelho auditivo.