05 abril, 2011

A flor representará o pão-nosso-de-cada-dia crescendo para dar alegria?

As palavras do nobelizado escritor e as imagens do maravilhoso filme premiado nada terão deixado ao acaso. Tudo o que foi escrito dito e ilustrado, o terá sido para fazer sentido, pois as obras que merecem atenção não se perderão em detalhes gratuitos apenas para dar corpo ao que se quer contar. Tudo faz, ou exige, entendimento e eu vou fazer o meu, sem perder de vista que a minha declarada intenção de procurar, na bela metáfora, o significado para a flor que passa da condição de quase morta à de "A Maior Flor do Mundo". Antes de procurar o seu ser, vejamos o seu estar. Sem dúvida, que embora o seu autor tenha sido empurrado para terras de Espanha o livro e as imagens são de Portugal. Que outro país podia ser? Com o mar ocidental banhando praias ensolaradas, com longas estradas ligando o nada a coisa nenhuma, com a construção desenfreada de condomínios, com a desertificação e a proliferação de terras incultas, quer as que se apresentam áridas quer as que a Primavera enche de verde e de floridas paisagens... Que outro país podia ser, senão este, onde os rios correm sem outro destino que não seja o poderem ser usados pelos meninos para regarem flores que definham? Até mesmo quando os rios nos acenam com grandes albufeiras, eles e essas de pouco nos servem (Alqueva, o maior lago artificial da Europa, tem aproveitamente irrisório)...

Parei este meu escrever para confirmar o anúncio visível no estaleiro, revendo o vídeo. Escrito em espanhol, pois outra linguagem não estava a usar o narrador, oferecia-se a venda de 2 000 moradias de luxo. Contradição aparente, pois não era visível outra riqueza que não fosse a da mãe natureza. Digo aparente pois quem me lê, sabe que o inicio da queda da actividade agrícola (e toda a produtiva) quase coincide com a chegada de volumosos dinheiros comunitários e que uma população mais ou menos ociosa sonhava futuros cor-de-rosa, consumindo, a pronto ou a crédito: veículos vistosos e bem motorizados, moradias de luxo em paraísos quase encantados. Os muitos que trabalhavam passaram a comprar o pão nosso de cada dia, feito com cereal de seara importada deixando-o de haver onde tanto havia amanhada por "levantados do chão". As grandes superfícies, não contadas no conto, transformaram-se em catedrais de consumo e da importação... Bom é melhor parar aqui, pois quer-me parecer que inadvertidamente vou cair na questão que explica a razão do endividamento. Seria útil falar dela, mas prometi que não o faria, talvez outro dia...


Mas vamos à conclusão e ao que suponho ser a flor: o sonho de pôr a terra a produzir