02 fevereiro, 2012

As limitações da democracia representativa - Que saída?

"A congruência da maior parte da gente que tem governado o país é, como se sabe, nula. Dizem hoje uma coisa, amanhã fazem outra; prometem com juras solenes cumprir um programa e antes que o eco das palavras se esbata já estão a fazer o contrário do que prometeram.Isto a gente sabe. O que talvez muitos desconheçam é que estes comportamentos são potenciados e favorecidos pela democracia representativa tal como é praticada nos nossos dias." 

No artigo publicado por J. M. Correia Pinto, no seu blogue, e do qual transcrevi a parte inicial, é-nos sugerida uma reflexão sobre o sistema democrático actual. Creio, no entanto e sem retirar qualquer validade àquele texto, que aí se omite uma perspectiva importante: a estrutura do tecido social dos representados no actual sistema, que, não sendo uma abstracção, não poderá ser ignorada nas motivações e consequência da sua intervenção cívica, decorrente do voto e, depois dele, no controlo da execução das politicas sujeitas ao escrutínio eleitoral . Por outras palavras: a destruição do aparelho produtivo, terá quase aniquilado uma classe operária com peso social e politico relevante; terá reduzido o assalariado agrícola à mínima expressão; terá feito quase desaparecer outros sectores onde os laços de relação laboral propiciavam, à semelhança de outras classes, uma exigência mais esclarecida quanto ao desempenho das instituições e poderes políticos.  Isto para concluir que, se mudar o sistema e permanecer o actual desequilíbrio da estrutura de classes, dificilmente se encontrarão respostas  de equilíbrio democrático e de maior bem estar e paz social. Quando se destroí economicamente um país não só se desenvolvem os conhecidos e vividos factores de crise económica e financeira, também se colocam disfuncionalidades graves no funcionamento da democracia, com todos os riscos e ameaças daí decorrentes.