10 fevereiro, 2012

Retalhos... (Da desertificação do país à deserção da soberania...)

Minha filha João - Quando para lá foi, para aquela quintinha perto de Alvega, aquilo tinha eira e beira, que o mesmo é dizer que, sem ser nenhum paraíso, havia o que era preciso. Foi há meia dúzia de anos, quando as dificuldades de manter emprego em Lisboa os fez encarar outro projecto de vida ... Os netos, ele e ela, passaram a ter a escola à distância de uma corrida de bicicleta, a farmácia à mesma lonjura. Para as necessidades da mesa (e a gente miúda, come que se desunha) havia a fruta da época a colher das árvores. As hortas eram abundantes e viçosas e as saladas tinham outro gosto. Para o conduto, a oferta era farta: havia patos, havia galinhas e frangos, coelhos, cabras e muito peixe de rio, pois que ali fica o Tejo, correndo perto. O pão e o peixe de mar, tinham venda à porta, com carácter regular. As idas a Abrantes, eram esporádicas e mais para recordar o citadino bulício ou ir à feira anual, do que por necessidade, pois essas idas eram mais que quinzenais. Já em tempos tinha referido, a propósito de um postal, que tal felicidade estava em risco, com o fechar da escola e da farmácia e com a A23 a valer custos inesperados. Meu genro teve de partir e nasceu, entretanto a Maria, que conta já com dezasseis mesitos, bonitos. 
Ontem a pequenina Maria, estava com febre alta e a minha filha João teve de ir a Abrantes, veio de lá medicada, mas avisada que a pediatria ia fechar... Terá de passar a ir a Torres Novas... Vinha desolada... Acho que a eduquei e dei exemplo a lutar contra as adversidades mas, confesso, ter sido insuficiente nesse meu desígnio e as fraquezas começam a fazerem-se sentir... 

Ministro das finanças alemão - Os jornais, todos sem excepção, mostram o ministro Gaspar a cochichar com o seu "parceiro" alemão. Embandeiravam em arco, pois tal ministro dizia ao tal Gaspar que lhe aceitava o pedido de, se não houvesse objecção parlamentar (acho que o parlamento alemão ainda funciona), que as condições iriam ser amenizadas. Assim, a Alemanha estaria disponível para flexibilizar as condições do programa de assistência financeira... Acho que ainda estou em dúvida sobre o que me confrange mais, se ver um ministro meu a pedir a um outro estado o que deveria ser decidido a nível de uma comunidade, se o clamor disso na nossa imprensa e seus colunistas, acocorados perante sinais tão lamentáveis da nossa perda de soberania...