02 dezembro, 2021

HOJE SINTO-ME PALMA (depois de Galeano e Francisco)

 

Hoje volto a sentir-me Palma, por razões que só a razão (e a canção) explica sem deixar cair os dias em que me senti Galeano e depois Francisco:

Ai, Portugal, Portugal!

Tiveste gente de muita coragem 
E acreditaste na tua mensagem 
Foste ganhando terreno 
E foste perdendo a memória 

Já tinhas meio mundo na mão 
Quiseste impor a tua religião 
E acabaste por perder a liberdade 
A caminho da glória 

Ai, Portugal, Portugal 
De que é que tu estás à espera? 
Tens um pé numa galera 
E outro no fundo do mar 
Ai, Portugal, Portugal 
Enquanto ficares à espera 
Ninguém te pode ajudar 

Tiveste muita carta para bater 
Quem joga deve aprender a perder 
Que a sorte nunca vem só 
Quando bate à nossa porta 

Esbanjaste muita vida nas apostas 
E agora trazes o desgosto às costas 
Não se pode estar direito 
Quando se tem a espinha torta 

Ai, Portugal, Portugal 
De que é que tu estás à espera? 
Tens um pé numa galera 
E outro no fundo do mar 
Ai, Portugal, Portugal 
Enquanto ficares à espera 
Ninguém te pode ajudar 

Fizeste cegos de quem olhos tinha 
Quiseste pôr toda a gente na linha 
Trocaste a alma e o coração 
Pela ponta das tuas lanças 

Difamaste quem verdades dizia 
Confundiste amor com pornografia 
E depois perdeste o gosto 
De brincar com as tuas crianças 

Ai, Portugal, Portugal 
De que é que tu estás à espera? 
Tens um pé numa galera 
E outro no fundo do mar 
Ai, Portugal, Portugal 
Enquanto ficares à espera 
Ninguém te pode ajudar 

Ai, Portugal, Portugal 
De que é que tu estás à espera? 
Tens um pé numa galera 
E outro no fundo do mar 
Ai, Portugal, Portugal 
Enquanto ficares à espera 
Ninguém te pode ajudar

9 comentários:

  1. Ai, Portuga, Portugal, eu hoje sinto-me Vasco Santana, António Silva, Laura Alves...
    Tantos nomes do Teatro e do Cinema português. Representaram com amor e empenho em tempos difíceis. Não conheceram a alegria de gritar "Somos Livres de Falar e de Voar", no entanto, tanto nos deram...

    Abraço, Rogério!

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    1. Lembras gente que poucas vezes tropeçou no lápis da censura... embora o teatro de revista conseguisse fintá-lo bem... quanto a tempos difíceis, estamos a passar por eles... impera uma nova censura, diria que mais cirúrgica mas igualmente eficiente e manipula e omite os mesmos de sempre... o humor caustico é remetido para a nobreza de um horário em que quem trabalha está com a cabeça na almofada...

      Essa alegria de que falas, anda pela rua da amargura...

      Abraço, com saudades do futuro!

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  2. O poema do Palma é longo e diz muito, não precisa de comentários mas sim de reflexão.

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  3. Ah Portugal!
    Muito lindo esse poema _ Jorge Palma_ ele é maravilhoso!
    Gosto muito! e esse poema emociona. Todas as letras dele são ótimas.
    Tambem me sinto Rogério hoje rs com essa ato e cidadania
    e com todas as razões que me faz ter vontade de chorar.
    fica o abraço

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    1. Quando te sentires Rogério
      escolhe sempre Minha Alma
      pois Meu Contrário
      frequentemente
      é um chato!

      Obrigado
      pelo teu abraço

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  4. Um Portugal sentado...espera e espera.
    Um abraço meu amigo.
    Beijo

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  5. Poema muito completo. Não conhecia. Gostei. Obrigada. Tudo de melhor, hoje e sempre

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  6. Eu gosto muito das canções do Jorge Palma. Por um lado, elas têm sempre algo a dizer que merece uma reflexão da nossa parte e, por outro, têm um requebro, um swing, que raramente se encontra na música portuguesa. Esta canção é um excelente exemplo do que acabo de escrever. Muito obrigado por nos fazer recordá-la.

    Já agora, lembrei-me de um outro poema, desta feita de Alexandre O'Neill, que também tem muito que se lhe diga: https://www.citador.pt/poemas/portugal-alexandre-oneill.

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