21 fevereiro, 2014

"Ai aguenta, aguenta!"

Francis Gruber - Nu Assis à la Chaise Verte, aqui
É tempo de resistir, a tudo o que nos violenta e deprime. Não está a ser fácil, mas nunca o foi. Não dói ouvir frios comentários quando eles são esperados. "Ai aguenta, aguenta" e "a sociedade aguenta tudo", são expressões que não causam surpresa, a não ser no desplante e nos quase sorrisos que acompanham os ditos. A surpresa dolorosa vem de afirmações de quem menos se espera, e até em relação a esses é preciso resistir, numa altura em que está em curso um projeto neoliberal de destruição do Estado Social:
“Seja qual for a evolução dos problemas que têm uma lista interminável - a pobreza, as desigualdades sociais, o desemprego, o envelhecimento da população -, é incontornável o reforço das organizações da sociedade civil portuguesa junto das pessoas” ... “Com mais iniciativa nos bairros, nas juntas de freguesia, no trabalho, no espaço público, nos executivos camarários, muitas coisas poderiam mudar”...“crescem as áreas onde a actuação [das organizações da sociedade civil] é necessária”.
Isabel Jonet não diria melhor.

PS: Alguns comentários apontam para a infelicidade da comparação. Mas não comparei pessoas mas sim o que elas dizem. Até diria mais, Jonet não faz nem mais nem menos do que aquilo que Sampaio recomenda que se faça.