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03 maio, 2022

«OLHA QUE NÃO DANIEL, OLHA QUE NÃO!»

«Meu caro Daniel Oliveira,
Desde muito jovens que somos militantes de muitas causas e que nos cruzamos nesta vida. Encontramo-nos acidentalmente com alguma frequência, trocamos impressões com enorme cordialidade sobre os mais variados assuntos, fundamentalmente sobre a vida política, que acompanhamos apaixonadamente. Sabemos do que cada um de nós vai escrevendo e dizendo em público. Temos imensos amigos comuns e creio poder dizer que somos amigos. Concordamos muitas vezes e discordamos outras tantas, mas temos em comum o facto de, como escreveu José Fanha, trazermos o mês de abril “a voar dentro do peito”.

Na passada semana ouvi uma crónica na TSF onde atacas duramente o PCP a propósito do que consideras ser a sua posição sobre a Ucrânia. É certo que atacas a hipocrisia de outros partidos (designadamente o PSD e o CDS) por criticarem o PCP, quando fizeram o que fizeram sobre o Iraque, mas a centralidade da crónica é sobre o PCP e é isso que me merece reparo e, mais que isso, discordância.

Passo por cima da adjetivação: posição “inaceitável, esdrúxula, insuportável, revoltante”, nas tuas palavras. Entendo a violência destas qualificações como uma espécie de tributo a pagar ao macartismo reinante. Qualquer referência ao PCP sem ser nesses termos seria porventura entendida como contrária ao esforço de guerra do Ocidente e sujeita a todos os vitupérios nas redes sociais e fora delas.

A posição do PCP, em teu entender, merece essa qualificação, porque o PCP teria “posto em causa que houve uma invasão”, logo, isso equivale a uma não condenação. Ora, caro Daniel, nada legitima essa conclusão. Desde logo porque, se nem todos os dirigentes do PCP qualificaram a guerra da Ucrânia usando o termo invasão, houve outros, não pouco responsáveis (e nem me refiro a mim próprio), que o usaram. Mas mais importante que o termo usado, seja invasão, guerra, conflito, ou seja o que for, o facto é que não houve um único dirigente do PCP que se tenha pronunciado que não a tenha condenado.

É curioso que os comunistas, que sempre foram acusados pela comunicação social mainstream de dizerem todos o mesmo (a cassette) agora são acusados de dizer coisas diferentes, e como não usaram todos o substantivo comum “invasão”, foram condenados a não ter condenado aquilo que inequivocamente condenaram.

Adiante na tua crónica consideras que o PCP terá baseado a sua posição em três argumentos, a saber: a) a Ucrânia não é democrática; b) a questão da segurança da Rússia; c) a discordância com o armamento da Ucrânia.

São de facto três questões que o PCP tem vindo a referir e que são questões relevantes. O problema é que o PCP não apoia a invasão. Condena-a. E portanto, é totalmente abusivo dizer que o facto de alguém (neste caso, um partido) pretender contextualizar um assunto aduzindo factos que são deliberadamente ignorados pelo maniqueísmo reinante, significa apoiar uma invasão.

Mas vejamos cada um deles: que a Ucrânia não é democrática, que quase todos os partidos estão ilegalizados (o Partido Comunista desde 2014) e que forças político-militares assumidamente nazis foram integradas formalmente nas Forças Armadas ucranianas não é questão de opinião. É factual. Mas não ignorar isso, não significa apoiar uma invasão. Afirmas e bem, que o PCP não apoiou a invasão do Iraque apesar de Saddam ser quem era. Tens razão. O PCP nunca apoiou invasões externas para mudar regimes políticos, e no caso da Ucrânia também não apoia. Haverá em Portugal quem, depois de durante muitos anos ter colocado Putin num pedestal, o derrube agora para colocar Zelenski no seu lugar. Mas o PCP, que nunca colocou Putin em nenhum pedestal, também não se sente obrigado a erguer estátuas a Zelenski para expiar pecados que nunca teve.

A segunda questão diz respeito à segurança da Rússia. Escrevia Mário Soares em 2008, perante o alargamento da NATO para leste, que isso não poderia deixar de ser sentido pela Rússia como uma ameaça. Escreveu Kissinger também já há alguns anos que a Rússia nunca poderia consentir a entrada da Ucrânia na NATO. Não ignorar este facto é apoiar uma invasão? Não é. O vendaval de críticas ao PCP e a muitas personalidades que referem o alargamento da NATO para leste como uma das causas desta guerra não tem nada a ver com qualquer apoio à invasão da Ucrânia. Deve-se ao facto de os poderes dominantes, incluindo a comunicação social mainstream, não suportarem qualquer crítica ao papel da NATO, dos EUA e da UE enquanto potências agressivas e ameaças à paz mundial.

A terceira questão é o armamento da Ucrânia. A comparação que fazes com Israel e a Palestina tem toda a razão de ser, e só dá razão ao PCP. De facto, o PCP não podia ser mais solidário com o povo palestiniano, sujeito à mais ilegal ocupação, à mais brutal repressão e a um regime de apartheid que conta, como bem sabemos, com o apoio ativo dos EUA e com a complacência da UE, mas nunca passou pela cabeça de ninguém do PCP pensar que a resposta é armar a Palestina até aos dentes para que, perante a desproporção de forças existente, resista até ao último palestiniano.

Referes o apoio ao Vietname, mas aí a comparação é deslocada. A participação dos EUA na guerra do Vietname, em nome da luta contra o comunismo, resulta da decisão de envolvimento militar norte-americano destinado a impedir que o regime corrupto instalado no sul desse país fosse derrubado pelo seu próprio povo, o que acabou por acontecer à custa de muitos milhares de mortos.

Podemos continuar esta conversa, caro Daniel, um dia destes em que nos encontremos por aí, com a cordialidade de sempre, na concordância e na discordância, mas para já o mais importante é fazer o que se puder para que esta guerra termine tão brevemente quanto possível e para que não se instale entre nós, portugueses, um clima de intolerância que pode conduzir a resultados funestos.

Na tua crónica, Daniel, dizes muitas coisas acertadas, mas no que se refere aos fundamentos da crítica ao PCP, atrevo-me a recorrer a um clássico: olha que não, olha que não!»

António Filipe, em "Opinião"/Jornal Expresso"

27 maio, 2022

PORTUGAL VS. UCRÂNIA - UMA COMPARAÇÃO QUE NÃO LEMBRA AO DIABO...

Soubemos o que Costa disse, ficámos sem saber o que realmente pensa. Não sei até o que lhe passa pela cabeça. Nem me atrevo a adivinhar... terá ficado, como eu ficaria, com o coração desfeito ao ver tal destruição. Ao saber do sangue derramado. Ao saber de tantas e violentas mortes. Mas...

...mas ouso comparar Portugal à Ucrânia.

Comecemos pelo território, onde a Ucrânia tem praticamente perdida a região do Donbass, Portugal já tem efectivamente perdida 70% da vasta região do Alqueva. Isto sem um só tiro. Sem um só grito. Sem sangue derramado. Efectivamente o «latifúndio, que nalguns casos deu lugar ao megalatifúndio, tem vindo a aumentar e é maioritariamente, propriedade de seis grupos económicos ou fundos imobiliários – Elaia, De Prado, Olivomundo, Aggraria, Innooliva e a Bogaris – na sua maioria espanhóis que detêm 65,5% de toda a área de olival. Isto estende-se até Portalegre, onde os grupos Elaia e De Prado possuem muitas herdades próprias e arrendadas». E o testemunho citado abarca outras comparações, designadamente a debandada. Na Ucrânia, são aos milhões. No Alqueva, são à escala.  Por exemplo «em Avis, na década de 60 do século passado, tínhamos cerca de 8 mil habitantes. Em 2019, éramos 4248. Isto significa quase 50% da população» Isto, sem um só tiro...

 Depois do território, passemos às empresas. A Ucrânia deu ontem conta de já terem sido arrasadas cerca de 300. Por cá, à escala, foram quase tantas. Por exemplo, um sector inteiro foi para o galheiro. Qual? O da metalomecânica! E isto, sem um só tiro. Siderurgia Nacional, Mague, Equimetal, Cometna, Sorefame, só para citar as grandes que foram à vida. Isto sem um só tiro! E para não falar da construção e reparação naval, ela toda no estaleiro... Alfeite, Lisnave, Setenave, Viana... Isto, sem um só tiro...

A Ucrânia, invadida, está em chama (e chaga) viva. Nós, por aqui, vamos ficando ardendo em fogo lento.

Se Costa pensa  nisso? Pensar, pensa! Mas como não há mortos nem feridos... alguém há-de escapar!

09 março, 2014

Geração sentada, conversando na esplanada - 55 (Jornalismo de merda - assim mesmo, sem aspas)

(ler conversa anterior)
... Vários anos volvidos, a RTP enviou para Kiev um seu funcionário para fazer a reportagem dos acontecimentos que agora estão a ter lugar. Não há palavras para descrever com rigor o seu desempenho desde que chegou a Kiev. Ele escamoteia factos essenciais que hoje já todo o mundo conhece, como a identidade política dos atiradores furtivos; ele não presta a menor informação sobre a composição do poder político saído da Praça Maidan, quando hoje já toda a gente conhece o curriculum dos participantes desse governo; ele fala da Ucrânia como se a Ucrânia fosse apenas Kiev ou até mais limitadamente a Praça Maidan, omitindo propositadamente a realidade complexa do país; ele esconde as medidas que o governo saído do golpe já tomou relativamente à parte que não o apoia; ele não dá a menor informação sobre o que pensa e o quer a outra parte da Ucrânia. Em suma, ele foi para a Ucrânia numa pura missão de propaganda tão inútil quanto estúpida, porque com os meios de informação que hoje estão para todo o mundo à disposição de um clik é perfeitamente possível saber o que ele tenta esconder. Mas nem por isso o protesto deverá ser menos vigoroso, quanto mais não seja por ele lá estar à nossa custa na prestação de um serviço público que vergonhosamente deturpa com o seu facciosismo vulgar.
J.M. Correia Pinto, in "Politeia"
 Ainda há jornalismo decente - dedicado, objectivo, honesto - daquele que reporta factos sem usar adjectivos nem tirar conclusões. E depois há o jornalismo de merda - assim mesmo, sem aspas - como o de José Rodrigues dos Santos, o enviado especial da érretêpê à Ucrânia. Não tem nada a ver. 
Fernando Campos, in "O Sítio dos Desenhos"

O sol amigo não compareceu e a manhã estava cinzenta. Todos estavam. As professoras falavam entre si, excepto a Gaby, que falava para o seu iPad como se conversasse com gente. "Não tem nada a ver!" dizia de si para si. Eu e o velho engenheiro trocámos olhares na cumplicidade, pois já tínhamos lido. Mantivemo-nos calados talvez esperando a pergunta óbvia que a Gaby iria lançar. E lançou: "Vocês lembram-se do Carlos Fino?"
Ninguém lhe respondeu, e ela parecia também desligada da resposta pois a tinha no próprio texto, bastava abrir o link que a levava ao "Politeia"...

22 fevereiro, 2023

NÃO, NÃO VENHO FALAR DO MEU CRÂNEO... MAS DA UCRÂNIA ...


No outro dia, falando do meu crânio, deixei implícita a necessidade de ouvir uma terceira opinião e colocava a necessidade de ter igual procedimento se viesse a falar da Ucrânia. Ora cá vai: 

«Acusar todos os que acham que não há uma solução militar para a guerra da Ucrânia e que uma solução de paz negociada deve ser encontrada o mais cedo possível de estar a favor de Putin nunca fez sentido, mas à medida que o tempo passa, a narrativa de que é preciso continuar a guerra até que a Ucrânia alcance uma vitória militar vai ficando cada vez mais insustentável.

Na verdade, à medida que o tempo passa, as peças da narrativa política e mediática imposta à opinião pública pelos Estados Unidos e pelos seus mais fiéis acólitos europeus, baseada na ideia de que a guerra tem de prosseguir até ao último ucraniano, vão caindo como um castelo de cartas.

Desde logo, a partir do momento em que há cerca de um ano atrás a guerra entrou numa nova fase com a ofensiva russa sobre o território ucraniano, era evidente, tendo em conta a desproporção de forças existente, que a solução que melhor serviria os interesses do povo ucraniano seria trabalhar para um cessar fogo imediato e para a abertura de negociações que permitissem uma coexistência pacífica entre a Rússia e a Ucrânia que salvaguardasse a segurança de todos, incluindo do povo do Donbass.»

Ler tudo aqui


04 março, 2014

Ucrânia, procuremos centrarmo-nos na omissa realidade para perceber o que se passa e não sermos apenhados desprevenidos com uma (eventual) desgraça

Se quiser, pode ficar-se pelas imagens... mas, para conhecer, tem mesmo que ler (imagens "roubadas" a um Viriato)

Em tempos idos, ainda sob a égide da censura que nos impunha a ditadura, dizia-me um amigo "lá em casa só entram o Diário da Manhã e o Novidades, leio o sentido contrário do que está escrito e fico com o retrato exacto de qualquer facto". Hoje, quase temos de fazer o mesmo, mas na realidade não precisamos, basta navegar um pouco...:
«Eu, no ano passado, disse aos emissários europeus que sem um referendo sobre a integração na UE, a Ucrânia estava à beira da cisão»
Piotr Simonenko, Primeiro Secretário do Comité Central do Partido Comunista da Ucrânia, in ANÓNIMO SÉCULO XXI
«Apesar de fazer parte da luta ideológica, não há nada mais revoltante do que a deturpação dos factos. Uma coisa são as declarações de ciência, outra os juízos de valor. Cada um faz os juízos de valor que entender, pelo menos, enquanto não for proibido, mas os factos são factos e não adianta deturpá-los porque eles continuam lá tal como aconteceram quando ocorreram.»

«Aliás, como a opinião pública é completamente dominada pelos media e estes estão a soldo da ideologia expansionista do Ocidente, uma ideologia hipocritamente assente na democracia, direitos humanos, estado de direito, etc, hoje já ninguém recorda os compromissos assumidos perante a URSS de Gorbatchov pela América e pelas potências ocidentais depois da extinção do Pacto de Varsóvia e da retirada das tropas soviéticas da Alemanha: a garantia de que os ex-países do Pacto de Varsóvia não integrariam a NATO. »
 
«Dirão alguns, agrilhoados numa visão fechada do "nós" contra o "outro" (o "mau"): a Rússia é imperialista, a Rússia é perigosa. A esses, respondo com um exercício.
Imaginem que os Estados Unidos tinham ficado sem uma parcela do seu território, entregue a um país vizinho e onde ficaram milhões de americanos. Imaginem que nesse território os EUA tinham conservado uma base naval fundamental para os seus interesses estratégicos. E imaginem, finalmente, que os EUA, com algum fundamento, sentiam que os "seus" norte-americanos e a base naquele tal território estavam em risco. Ficavam quietos? Brincamos, é?»

12 junho, 2023

A GUERRA, NA VISÃO DE ROBERT F. KENNEDY JR.


 "Washington transformou a Ucrânia  num matadouro" Foi assim que o candidato presidencial dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., considerou a guerra na Ucrânia. Na sua entrevista com o jornalista Jordan Peterson, do Daily Wire, Kennedy  lembra que toda a média ocidental preferiu ignorar durante todos esses anos: “O governo dos EUA derrubou o governo ucraniano eleito democraticamente em 2014, elegeu um novo líder ucraniano, financiou uma guerra civil contra os russos étnicos no leste e provocou a Rússia  numa guerra por procuração dos EUA”. 
Kennedy Jr. diz que foram as ações gananciosas de Washington que arrastaram Kiev para a guerra. Ele acusou a Casa Branca de usar a Ucrânia como um "peão" para atingir seus próprios objetivos geopolíticos. O político, assim como Snowden, aponta para o papel dominante da Casa Branca, que controla cuidadosamente o fluxo de informações e segue uma política agressiva com qualquer um que tente dizer a verdade sobre a guerra ucraniana: "Transformamos a Ucrânia em um matadouro que matou 350.000 jovens ucranianos. Eles mentem sobre quantas pessoas morreram. Eles escondem isso de nós. O Pentágono esconde isso do povo americano." Ele acredita que o governo da Casa Branca demonstra as hostilidades entre a Rússia e a Ucrânia "na forma de uma história em quadrinhos", formato que muitos cidadãos americanos percebem melhor do que qualquer formato de mídia. Portanto, é mais fácil zumbificar o público americano."

Claro que esta noticia vai ser silenciada em toda a imprensa ocidental dita de referência e naturalmente no jardim de Borrel  e nas TVs Do rectangulo."

 Post publicado no FOICEBOOK

04 março, 2022

O PCP VAI SER PROIBIDO?

O efeito imediato de uma guerra como a que Vladimir Putin lançou na Ucrânia é o da tragédia humana que ela provoca: mortos, desalojados, refugiados, devastação, fome. A solidariedade ativa com o povo ucraniano, é, por isso, neste momento, uma exigência humanitária, mesmo que circunstancialmente favoreça outros inimigos da humanidade que agridem outros povos, esquecidos, em outros pontos do mundo.

18 dezembro, 2013

Hitler vs Pavlov: os cãezinhos amestrados e as lufadas de ar fresco (texto roubado)

"Enquanto as manifs na Grécia, Espanha ou Chipre, são quase silenciadas pela nossa comunicação social, a revolta popular em Kiev provocou uma reacção pavloviana nos jornais e televisões cá do burgo. Influenciados pelos congéneres ocidentais, invadem as nossas casas e inundam as pantalhas a toda a hora com imagens da BBC e da Sky sobre a gloriosa e justa revolta popular na Ucrânia, que conta com o apoio declarado de Frau Merkel e da dupla Obama/ Cameron , os Dupont e Dupond da cena política mundial.
(A independência dos jornais no mundo ocidental é igual à que existe nos regimes ditatoriais. A diferença é que nas ditaduras, a comunicação social é controlada pelos governos e nas belas democracias ocidentais é controlada pelo poder económico e financeiro, que dá ordens aos governos que colocaram no poder para melhor poderem defender os seus interesses).

Compreendo a luta dos povos por melhores condições de vida. Compreendo que os povos se revoltem contra ditaduras. Sabia que a apregoada primavera libertadora ia acabar mal, mas nunca critiquei a luta dos povos árabes.
Percebo que os ucranianos lutem pela adesão à UE, embora me pareça que estão a apostar no cavalo errado. (Se o contrato de adesão com a UE for assinado, sem que as exigências de Yakunovitch sejam aceites por Merkel, a Ucrânia irá enfiar-se num atoleiro e, a breve prazo, estará com os mesmos problemas dos países sob assistência. Mais lucros para a Alemanha com a desgraça de outros povos europeus, a única coisa que, além da cerveja faz salivar a dama da Stassi).

Ontem, o presidente ucraniano conseguiu não só que a Rússia reduzisse em mais de 30% o preço do gás, mas também- e mais importante - um apoio de 15 mil milhões de dólares ( a UE não estava disposta a patrocinar um apoio sem condições e pretendia que a UE recorresse ao FMI ) que permitirá à Ucrânia evitar o recurso ao FMI e as medidas de austeridade que Lagarde exigia para conceder um empréstimo.
Compreendo que um país onde a emigração não para de aumentar, é um país mal governado.No entanto, neste aspecto, parece-me que o presidente ucraniano esteve bem. Se a UE queria acolher a Ucrânia ( para depois esmifrar os ucranianos) não tivesse sido arrogante e inflexível. (Nem todos os governantes se chamam Coelhos e Portas, nem estão dispostos a trair o seu povo, com mira em recompensas futuras).
O que não compreendo é que um povo, vergastado diariamente por um governo invasor, dirigido por uma trupe de néscios e obediente na aplicação das medidas exigidas por Merkel, continue impávido e sereno, sem capacidade de reação. Não compreendo, porque sempre detestei cobardes e considero os cãezinhos amestrados uns animais muito idiotas. Iguais a alguns jornalistas que pululam nas redacções.
O que me sinto incapaz de aceitar é a legitimidade das críticas de Catherine Ashton, ou Merkel, à intervenção da polícia e consequente apoio à justa luta popular ucraniana, quando as mesmas condenam a reacção popular dos gregos e nunca tiveram uma palavra para a violência das policias grega, espanhola e até portuguesa, contra os manifestantes que criticam a troika e as esclavagistas políticas europeias em relação aos países do sul, de que elas são acérrimas defensoras.
Quem foi que disse que as mulheres no poder seriam uma lufada de ar fresco, quem foi? Espero que já se tenham arrependido porque, na Europa, ainda não houve uma única mulher que tivesse uma política orientada para a sensibilidade social e, em muitos casos, não passam de histéricas deslumbradas com o poder."

Postado por Carlos Barbosa de Oliveira, no "Rochedo"

14 abril, 2022

E SE ZELENSKY NOS PEDIR PARA ENTRARMOS NA GUERRA À RUSSIA?


(Pedro Tadeu, in Diário de Notícias, 13/04/2022)

Quando o presidente da Ucrânia falar no Parlamento português, como está previsto acontecer daqui a uns dias, não vai pedir apenas um reforço do fornecimento de armas ao seu país, nem unicamente um aumento de sanções à Rússia.

Volodymyr Zelensky vai pedir aos deputados que levem Portugal a apoiar uma intervenção direta da NATO contra a Rússia e que essas tropas da Aliança Atlântica ajudem os ucranianos, no terreno, a combater as tropas russas. Ou seja, vai pedir que Portugal, membro da NATO, entre em guerra com a Rússia.

É isto que ele tem dito em inúmeras intervenções públicas, como aconteceu no Parlamento Europeu, logo no início da guerra, e em outros parlamentos nacionais. E é perfeitamente natural, na aflição de defender o seu país do ataque russo, que entenda que deva confrontar os políticos do ocidente com essa exigência.

Depois de fazer esse apelo, no final do seu discurso, o que irá certamente acontecer é que quase toda a sala de deputados portugueses se irá levantar em ovação, aplaudindo de pé as palavras de Zelensky – é a reação mais natural, dada a carga emocional que a qualidade do seu discurso transmite e a indignação que a situação humanitária na Ucrânia provoca, impulsionando todos nós para manifestações de solidariedade incondicional.

Nesse momento, no momento em que aplaudirem, vibrantes, o discurso de Zelensky, que estarão os deputados portugueses a aplaudir? Estarão a aplaudir, também, a parte do discurso do líder ucraniano que empurra Portugal, via NATO, a entrar em guerra com a Rússia.

10 março, 2022

GUERRA: CREIO QUE A PORTA SE MANTÉM ABERTA (e não estou só nessa esperança)

Ontem, quase em simultâneo com o meu texto era publicado outro. Em ambos, se vislumbra aberta a porta que dá acesso ao entendimento que é requisito para a paz. Esta manhã, não faltou quem falasse em insucesso, em fracasso e mais o diabo a sete.

Eu por mim mantenho a esperança, e não estou só como aqui se pode perceber, passo a transcrever: 

Notam-se tímidos sinais de paz. O caminho está encetado.

08 maio, 2022

DE HÁ MUITO ME SINTO... FRANCISCO...


«O Papa Francisco sugeriu que a NATO poderá ter motivado a invasão da Rússia à Ucrânia, numa ocasião onde voltou a reforçar a sua vontade de se encontrar com o presidente russo.

Francisco disse que a NATO “ladrou” à porta da Rússia e que isto pode ter provocado a invasão da Ucrânia.

Numa entrevista ao jornal italiano “Corriere della Sera”, o Papa refletiu sobre a agressão letal da Rússia ao seu vizinho e disse que, embora não se possa chegar ao ponto de dizer que a presença da NATO em países próximos “provocou” Moscovo, e “talvez facilitou” a invasão.

Relativamente ao uso de armas, o pontífice está dividido quanto ao fornecimento de armas aos ucranianos.

“Estou muito longe de poder responder à questão sobre se é certo fornecer armamento aos ucranianos. O que está claro é que as armas estão a ser testadas naquela terra. Os russos sabem agora que os tanques são de pouca utilidade e estão a pensar noutras alternativas. As guerras são travadas para isso: para testar as armas que produzimos”, garantiu.

Quanto à visita aos países em guerra, o Papa explicou que primeiro quer ir a Moscovo e referiu que sente que não tem de ir à Ucrânia.

“Não vou a Kiev agora. Enviei o Cardeal Michael Czerny e o Cardeal Konrad Krajewski, que lá foram pela quarta vez. Sinto que não preciso ir. Primeiro tenho que ir a Moscovo, primeiro tenho que conhecer Putin”, destacou.

O Papa tem demonstrado, em diversas ocasiões, a sua vontade de se encontrar com e presidente russo e três semanas depois de ter começado a guerra, a 24 de fevereiro, Francisco formalizou um pedido e ainda aguarda resposta.»

11 março, 2024

QUEM DETERMINOU OS RESULTADOS DE DEZ DE MARÇO? (AS INGENUIDADES DO PCP) - II

Ler artigo anterior


Se deixei dito que terão sido os comentadores de serviço a determinar os resultados, também não deixei de dizer que não terá sido o único factor. Os que aqui vou referir não são de somenos. Chamar-lhes ou qualifica--los de "ingenuidades" até pode ser desajustado... chame-se o que se quiser ao que a seguir vou dizer:
  • Sobre como vai o Mundo, com guerras por tudo o que é sítio, foi ingenuidade falar de Paz quando se pronunciou sobre a invasão da Ucrânia enquanto "todos" falavam em reforçar a Ucrânia com armamento*;
  • Sobre a composição social a que dirigiu as suas propostas, foi ingenuidade ignorar que, com a desindustrialização, a classe operária está reduzida a quase nada se comparando ao tempo da Siderurgia Nacional, da Mague, da Sorefame, da Equimetal, da Construtora Moderna, da Portucel, da Cimpor (entre outras da industria pesada) e, ainda, de todo o sector de construção e reparação naval onde de cerca de 26 mil trabalhadores hoje apenas por lá estão menos de 900. 
  • Sobre o aumento da pobreza, foi ingenuidade não se dirigir a mais 81 mil pessoas a viverem com menos de 591 euros mensais. E seria importante tê-lo feito pois a pobreza ou exclusão social ameaça agora 2,1 milhões de portugueses. E é desse universo que releva o que Marx identificava como lumpemproletariado o qual, por não ter consciência de classe, tende a assumir comportamentos de contestação pela contestação... 
* Se o Papa Francisco tivesse na altura dito o que hoje disse tinha-se o meu Partido livrado de tanta chatice 


25 fevereiro, 2022

FALOU-SE DA UCRÂNIA NO MEU JANTAR DE ANIVERSÁRIO? CLARO!

Como sempre acontece quando a família se reúne, houve de tudo. Houve lembranças vividas, houve um pouco de tertúlia e houve, a inevitável, conversa séria. Antes de tudo, a comezaina da saborosa lasanha, obra da Minha MaiNova, momento em que se passou o canal, onde ele estava, para aquele em que só passa (boa) música. 

Nesse momento, saudei-lhe o gesto "Boa, filha. Ouvir tanto dislate cansa... é que em tanta verborreia, não há uma única notícia e o que abunda é a desinformação". Nesse preciso momento, meu genro, avança no tema e defende tese. O outro genro, nada acrescenta e eu, sempre naquela ironia fui discorrendo sobre o que agora retomo, mas em tom sério:

"(...) o agravamento da situação é indissociável da perigosa estratégia de tensão e confrontação promovida pelos EUA, a NATO e a UE contra a Rússia, que passa pelo contínuo alargamento da NATO e o reforço do seu dispositivo militar ofensivo junto às fronteiras daquele país, e em que insere a instrumentalização da Ucrânia, desde o golpe de estado de 2014 (...)

"a Rússia é um país capitalista, cujo posicionamento é determinado, no essencial, pelos interesses das suas elites e detentores dos seus grupos económicos"

Do desfecho, só tenho uma certeza e coincide com o que acabo de ler

«Mas de longe o maior perdedor é a Europa que tem sido vergonhosamente vendida pela sua cobarde classe política. Primeiro, a Europa perdeu a oportunidade económica de uma parceria pacífica com a Rússia. Em vez disso, irá perder mercados importantes e pagará muito mais pela energia.»

28 abril, 2022

A CLASSE MÉDIA, A UCRÂNIA E ... A GUERRA

Milhares de russos à porta dos bancos...

O texto que trago é mais extenso, mas aqui cito a definição exacta da finalidade da guerra que, hoje mesmo, foi, por coincidência (ou não), assim mesmo definida na reunião de onde saí há pouco:

«A guerra na Ucrânia tem por finalidade defender um mesmo modelo de sociedade de exploração e acumulação pelos dois contendores, os Estados Unidos, que têm o seu modelo em crise política (populismo), económica (pobreza) e social (racismo e etnicidade) e a Rússia que pretende passar de uma sociedade típica do terceiro mundo, exportadora de matérias-primas, para uma sociedade de capitalismo desenvolvido e de consumo.»
Carlos Matos Gomes, in ESTÁTUA DE SAL

30 dezembro, 2023

2023 EM BALANÇO (a nível nacional): O QUE CORREU BEM; O QUE CORREU MAL

Ia eu escrever, em desespero, que não há lugar para balanço pois tudo correu mal... que esta Demo_cracia é mesmo obra do demónio. 
Estava já para aí inclinado e eis que acedo a uma crónica que me fez recuar no intento. Li e reli e percebendo que de bem e de mal, está tudo lá, embora o balanceamento não se faça diretamente... 
Faça o leitor, mentalmente.

Por Carmo Afonso 

Público - 29 Dec 2023

Na sondagem da Intercampus para o Jornal de Negócios, Correio da Manhã e CMTV, há uma nova descida do PCP. Numa sondagem anterior, tinha sido ultrapassado pelo PAN, agora foi a vez do Livre. Sabemos que as sondagens não passam disso e sabemos também que, mais do que prever resultados, elas condicionam o voto. Mas vamos assumir que estes resultados são credíveis.

Tenho visto muitas pessoas genuinamente contentes com a descida do PCP. São anticomunistas; não reconhecem a importância de termos este partido entre nós e com uma representação parlamentar expressiva. A primeira coisa que lhes quero dizer é que estão enganadas. Como afirmou um querido amigo, “Portugal não é grande coisa, mas sem o PCP seria muito pior”. São inúmeras as dívidas de gratidão que temos para com o partido. Inúmeras. Sem o PCP, a grande maioria dos direitos de trabalhadores não estaria consagrada na lei, como está. Ninguém põe em causa a justiça de trabalharmos 11 meses para recebermos 14 salários, mas tempos houve em que isso era uma miragem. O PCP esteve sempre lá.

Mas isto não é apenas sobre gratidão pelo passado. É também sobre acautelar o futuro. A presença do PCP garante uma rede de estruturas, como as sindicais, de apoio efetivo aos trabalhadores. O desaparecimento, ou o simples enfraquecimento, dessas estruturas fará diferença na vida da maioria dos portugueses, mesmo daqueles que pouco se importam com o tema desta crónica. Sobretudo, o PCP costuma estar ao lado das boas causas. Alguns dir-me-ão: “E a guerra da Ucrânia?” A esses respondo que a posição do PCP foi um pretexto para o que já tinham, há muito, vontade de fazer: excluir o partido. O PCP defendeu, e ainda defende, uma paz negociada para a Ucrânia. Os militantes foram insultados por isso. Mas reparem que agora, em relação à guerra no Médio Oriente e estando do lado da Palestina, o PCP continua a defender uma paz negociada. Não falou em enviar armamento ou em dar qualquer espécie de apoio militar à Palestina. Consistência é isto. A paz, o primeiro valor do 25 de Abril, continua atual no PCP. Ainda bem.


No mesmo dia em que soubemos dos resultados da sondagem, morreu Odete Santos. À esquerda e à direita, ouvimos palavras sentidas de apreço e reconhecimento pelas qualidades de Odete Santos e pelas lutas que travou. Tudo foi pouco. Era uma mulher autêntica. Nada na Odete Santos — salvo a honrosa exceção do seu cabelo — era artificializado. Defendia apenas aquilo em que acreditava, e acreditava em coisas boas, como os direitos das mulheres e a causa dos trabalhadores. Não tinha medo do ridículo nem do espalhafato. Isto é a definição do oposto de uma pessoa chata. Ninguém poderia aborrecer-se a ouvir ou a olhar para Odete Santos. Para quem não me conhece, ou seja, quase todos vós, esclareço: não me ocorre melhor qualidade. De pessoas chatas, está o mundo cheio.

Foi triste saber que a Odete Santos deixou de existir. Foi metafórico ter acontecido no mesmo dia em que as perspectivas eleitorais do PCP não se revelaram grande coisa. A Odete Santos representa o melhor do PCP, mas o PCP representa também o melhor da Odete Santos. É belo ver os vídeos em que se entregou à defesa dos seus pontos de vista. Mas não era só a forma que era boa, o conteúdo também era. O conteúdo que ela apregoava é a matéria de que é feito o PCP e que podemos resumir como sendo a abolição de quaisquer relações de domínio.

Comunista é um substantivo, mas cresci a ouvir a palavra ser usada como adjetivo e não num sentido elogioso. Existe um sentimento anticomunista profundamente enraizado em Portugal. Assimilámos os preconceitos da Guerra Fria e diabolizamos pessoas que são provavelmente as melhores entre nós.

Ser comunista não é apenas meter uma cruz no quadrado do PCP. Calma que também não é um voto de pobreza como muitos pretendem. Deixemos isso para as ordens religiosas. Mas significa acreditar no partido e num mundo melhor. “As causas perdidas são exatamente aquelas que poderiam ter salvado o mundo”, escreveu Gilbert Keith Chesterton, cheio de razão. Não sei se o comunismo integra a categoria das causas perdidas, mas admito que, à distância a que estamos de uma sociedade comunista, tivessem de rolar cabeças para a instituir. Por mim, não acontecerá. Afeiçoei-me à vida da social-democracia europeia. Digo-vos isto para que percebam que não é o sonho comunista que me move. Mas insisto que precisamos de um PCP forte para termos uma social-democracia saudável.

E junto-me ao grupo dos que sentirão falta da camarada Odete Santos. Foi cedo e deixou um lugar impossível de preencher. 


28 maio, 2022

PORTUGAL VS. UCRÂNIA - UMA COMPARAÇÃO QUE NÃO LEMBRA AO DIABO... II

«Portugal é hoje o país da União Europeia com mais emigrantes em proporção da população residente. O número de emigrantes portugueses supera os dois milhões, o que significa que mais de 20% dos portugueses vive fora do país em que nasceu. Entre 2010 e 2013, o número de saídas de Portugal cresceu mais de 50%. Entre 2013 e 2014, a emigração estabilizou em torno das 110 mil pessoas por ano.»  

Lendo isto aqui, fui ler o que se passa na Ucrânia e lá, porque há mísseis, bombas e tiros, o êxodo já ultrapassa os 5 milhões... se podemos comparar? Claro que não! Mas dá que pensar... Não é preciso um só tiro para que êxodo semelhante  aconteça... Acontece como se fosse guerra...

18 março, 2022

DÁ-SE NOTÍCIA DE HAVER ESBOÇO DE PLANO DE PAZ, MAS BIDEN NÃO SE FAZ ROGADO E DISPARA INSULTOS POR TUDO O QUE É LADO...


 Claro que esta chamada é mais uma farsa minha, usada para comentar esta farsa armada onde a paz é coisa não querida da parte de quem a devia querer. Mais uma vez há, por detrás desta graça sem piada, notícias muito sérias:

«A Ucrânia e a Rússia terão chegado a um “acordo de paz provisório” assente em 15 pontos, escreve o Financial Times»

«O presidente americano, Joe Biden, voltou a atacar o chefe de estado russo, Vladimir Putin, e o chamou de “ditador assassino” e “bandido”, um dia após lhe ter chamado de “criminoso de guerra” pela invasão à Ucrânia. »




14 novembro, 2015

Paris - "não tenhamos ilusões: a matança continua e irá continuar porque há quem lucre com ela, parasitas do ser humano, vampiros de sangue humano


Pelas entranhas maternas e fecundas da terra
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó Paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Natália Correia*
«Paris, noite de 13 de Novembro de 2015; depois de Paris em Janeiro de 2015, Nova Iorque, Madrid Atocha, Líbano centenas de vezes, enquanto se arrastam as tragédias da Palestina, Afeganistão, Síria, Iraque, Líbia, Iémen, Egipto, Somália, Mali, Nigéria. A matança continua através da mais bárbara das formas de guerra, a que vitima preferencialmente civis, famílias nas suas casas, cidadãos nos seus momentos de lazer, trabalhadores nas suas actividades, camponeses nas suas terras, crianças e professores nas escolas, doentes, médicos e enfermeiros nos hospitais, socorristas nos escombros. Guerra cega, selvática, conduzida por governantes, traficantes, negociantes da morte, impérios económicos e financeiros, militares, paramilitares, mercenários movidos a dinheiro, também marionetas da intoxicação religiosa e ideológica. Uma guerra sem quartel onde conceitos trapaceiros e expansionistas de democracia se combinam com o irredentismo da fé e a ganância fundamentalista dos agiotas, umas vezes em aliança, outras em dissidência, mistificação sanguinária onde os “chocados” de hoje, os “horrorizados” de ontem podem ser os algozes de Gaza, de Alepo, My Lai ou Haditha, Odessa, Sabra e Chatila, Kandahar ou do hospital de Kunduz, Tripoli ou Bahrein.

Em que se distinguem os massacres de sexta-feira em Paris e as matanças recorrentes em Gaza? O terror à solta em Abu Ghraib, Kandahar ou as bombas sobre o hospital de Kunduz e as chacinas de Odessa, Nova Iorque, no Charlie Hebdo ou quotidiana nas águas do Mediterrâneo? Que não se responda em função da dimensão, da cobertura mediática, do tom da pele ou do grau de “civilização” das vítimas. Uma morte é uma vida humana que se perde, a vida de alguém sem qualquer responsabilidade nas acusações invocadas, nos alibis expostos para eternizar a carnificina global, para atordoar a comunidade mundial através do terrorismo, a mais ignóbil das formas de violência.

Escutámos as primeiras reacções ao drama da noite parisiense: como se o fundamental fosse conhecer quem reivindica a autoria dos crimes, a que horas e de que maneira o faz. Reacções onde se exige mais segurança, mais espionagem sobre os cidadãos globalmente espiados, mais investimento em armas e exércitos, mais limitações à vida quotidiana e aos movimentos de quem já sofre as agruras da vida em crise permanente, em suma, mais guerra sobre a guerra. E poucas palavras ou simples alusões de raspão sobre as cada vez mais comprovadas colaborações entre o radicalismo islâmico e o fascismo, patentes no atentado contra o Charlie Hebdo e, na Ucrânia, na coligação armada para “libertação” da Crimeia; ou invocações por alto, quase sempre invertidas no contexto, das situações na Síria, no Iraque, na Líbia Bem alto na trágica noite parisiense, o secretário-geral da NATO mandou dizer que o terror não vencerá a democracia. Belas e promissoras palavras, pensarão os incautos ou quem ignora a responsabilidade institucional de quem assim fala nas tragédias em curso na Síria, no Afeganistão, na Líbia, na Ucrânia, na multiplicação de muros e barreiras por esta Europa afora.

Depois chegou a reivindicação: o Estado Islâmico, ou Daesh, ou ISIS, ou Al Qaida, ou Al Nusra, ou isto, aquilo ou aqueloutro, grupos financiados por entidades estatais de países da NATO, treinados em campos criados em países da NATO, como a Turquia, ou aliados da NATO como a Jordânia, armados e sustentados de mil e uma maneiras por íntimos da NATO como a Arábia Saudita, o Qatar, Israel. Aqui avulta o sentido humanitário do chefe do governo israelita, que enquanto planeia os próximos ataques a Gaza cede o território sírio ocupado dos Montes Golã para acoitar os terroristas do Estado Islâmico – os que se dizem autores da selvajaria de Paris - e oferece os hospitais israelitas para tratar os mercenários desse bando que forem vítimas da “ditadura bárbara” de Assad. O mesmo chefe de governo, Netanyahu, que foi dar o braço ao presidente Hollande na manifestação encenada por ocasião do Charlie Hebdo e que agora está, como não podia deixar de estar, entre os mais “chocados” e horrorizados”.

Por falar em François Hollande, um dos principais titulares dos “amigos da Síria” inventados em Washington, atrás dos quais se escondem Estado Islâmico, Al Qaida, Al Nusra e os famosos “moderados” – todos eles brilhando como estrelas reluzentes do terrorismo internacional –, ficámos a saber que por causa da situação teve de cancelar a deslocação à reunião do G20, um desses vários “gês” que nos governam sob as ordens dos mistificadores da democracia. Reunião essa na Turquia, país onde ficou demonstrada a falsificação das recentes eleições gerais para reforço da ditadura islamita e que tem servido de base operacional da NATO e de grupos terroristas – entre os quais o Estado Islâmico – para as guerras impostas à Síria, Líbia e Iraque.

Assim sendo, não tenhamos ilusões: a matança continua e irá continuar porque há quem lucre com ela, parasitas do ser humano, vampiros de sangue humano.»
José Goulão, aqui

* Poema e vídeos editados em "Paris, e agora?"

24 novembro, 2018

Sobre como (realmente) vai o Mundo, ler tudo no "LADO OCULTO" - 12


O NAZI-FASCISMO ANDA AÍ

O nazi-fascismo anda aí, mais activo, organizado, transfronteiriço e ambicioso do que nunca depois de derrotado na Segunda Guerra Mundial.
Desconfia? Não acredita? Mas se ler a edição Nº12 de O Lado Oculto, já online, provavelmente ficará com outra ideia, e talvez mais desperto para o que fervilha.

A Ucrânia resultante do golpe de Estado promovido pelos Estados Unidos, com apoio da União Europeia, é hoje a meca dos fascismos e nazismos mundiais - e de Portugal também. Ali encontram treino - com armas fornecidas pelos Estados Unidos, doutrinação e reforçam laços com correligionários de todo o mundo. O maior centro de acolhimento ucraniano é o Batalhão Azov, organização política, militar, paramilitar e dotada com um corpo de milícias urbanas que se transformou na organização mais poderosa do país, à qual o governo de Kiev obedece porque, mesmo que quisesse, não lhe resta outra alternativa para sobreviver.

Depois há todo um universo de redes globais integrando governos, a NATO, as maiores empresas transnacionais, falsas ONG's e afins, que se revê cada vez mais no fascismo. Aplicar e difundir ditatorialmente, sob disfarce democrático, a ortodoxia neoliberal é a sua função. Porém, como temos vindo a perceber, o neoliberalismo chegou a uma situação de crise institucionalizada que implica o recurso à ditadura terrorista pura e dura. Bolsonaro, Macri, Paraguai, Ucrânia, Honduras, Israel são exemplos que não enganam.

De tal modo, recorda-se , que se assiste em Israel, pela voz do seu mais alto governante, Benjamin Netanyahu, a um branqueamento do próprio Hitler. "Ele só queria expulsar os judeus", o Grande Mufti de Jerusalém é que defendeu o extermínio, alega o primeiro ministro sem se preocupar em desmentir tudo o que está provado historicamente.

Exemplos da crescente organização dos aparelhos fascistas, sem contar as situações na Europa em que já estão no governo, são dados por sucessivas notícias sobre infiltrações, sobretudo em corpos militares. É o caso da descoberta de uma conspiração na Alemanha, através de centenas de soldados que conseguiram entrar nas forças militares de elite (KSK). O complot foi detectado pela polícia criminal, mas os responsáveis não sofreram punições porque receberam um aviso de um alto oficial dos serviços secretos.

Mas há muito mais para ler nesta edição de O Lado Oculto. Sobre a corrida ao ouro de cada vez mais países para se livrarem da dependência do dólar e da economia norte-americana; o plano que os Estados Unidos entregaram à família real saudita para que esta possa sair por cima no casi do assassínio de Jamal Khashoggi: que seja um inocente a pagar em vez do príncipe herdeiro; ainda as sequelas do fascismo militar aplicado pela NATO na Líbia; e também o jogo sujo, ofensivo do próprio funcionamento do mercado, usado pelos Estados Unidos e seus satélites para que o gasoduto NordStream 2, nascido da cooperação entre a Alemanha e a Rússia, não transporte gás natural para a Europa de maneira muito mais estável e a mais baixos preços.

A propósito da atitude de Bolsonaro ao provocar a saída dos médicos cubanos que cuidavam do povo brasileiro não perca uma reflexão oportuna sobre revolução tecnológica e a tecnologia da revolução. Não deixe também conhecer como se desfaz o falso mito segundo o qual a indústria têxtil portuguesa foi vítima dos baixos salários praticados no Oriente. Verá que não foi: tratou-se de falta de visão da generalidade dos empresários portugueses, que perderam o comboio da modernização da produção, das novas tecnologias, dos têxteis inteligentes.

20 fevereiro, 2023

NÃO, NÃO VENHO FALAR DA UCRÂNIA ... MAS DO CRÂNIO... O MEU

Lembram-se do tal relatório? Foi hoje desmontado na consulta tida de manhãzinha... por conclusão saí com receituário com ênfase nas pastilhas de vitaminas..

De entre o relatório e o ouvido, pelo neurologista de serviço, "não batendo a bota com a perdigota" tenho mesmo que ir ao desempata....

Se estivesse a falar, não no meu crânio, mas na invasão da Ucrânia há uma certa semelhança...