25 novembro, 2010

Os que fizeram greve

Imagens da greve (retiradas daqui)

Palavras de um hipotético grevista

Parei aeroportos, aviões, portos, navios, embarcações, comboios e autocarros. O país deixou de fazer carros e baixou considerávelmente o fabrico de componentes. Deixei de tratar doentes, atrasei a redução de contas bancárias e parei escolas. Mas não parei a educação. Os meninos do meu país souberam a força que eu tenho e eu próprio o aprendi. Nem todos o fizeram e muita actividade sobrou na cidade? Sim, claro! Mas essa fraqueza é a maior debilidade da nossa economia. Sabia? As muitos pequenas empresas são mais de 250 mil e patrão não faz greve contra si mesmo (embora por vezes tal fosse conveniente, para um país mais decente). O comércio emprega sem direitos nem preceitos. Até pode dizer (e diz): "se não vieres trabalhar amanhã, escusas de aparecer mais". Não há vínculos contratuais.

Greve. Que ganho eu com isso? Talvez o reconhecimento de que o país sou eu e eu sou este país, pois quem vive à custa do meu trabalho parece estar a mais. Talvez comigo resolvam falar, discutindo o meu futuro e, se ele tem que ser duro, que o seja igualmente para toda a gente... A greve foi bem sucedida? Não sei ainda, mas fiquei com esta lição aprendida. Tenho força e devo usá-la. Usá-la-ei até que esta politica seja mudada. Já pouco tenho a perder, ou quase nada!