08 novembro, 2010

Formas "superiores" de condicionar a liberdade de imprensa...

A propósito do meu post "Os desafios pessoais de Dilma", onde me interrogava se Dilma sobreviverá ao poder da imprensa brasileira, recebi vários comentários. Destaco, o de Salete Catae: "Espero sinceramente que a Dilma faça um bom governo e que fortaleça ainda mais a democracia do meu país. Deixem a imprensa fazer o papel dela! Há coisas ruins sim(...)mas não quero ver acontecer com meu país o que anda acontecendo na Venezuela, onde o governo fecha os meios de comunicação por medo de posições contrárias ao dele ...".
Em Portugal, a imprensa faz o seu papel. Tem aqui um exemplo. Contudo, este exemplo não explica as coisas.
Não explica que o papel da imprensa é cada vez mais o que os poderes económicos determinam que seja. A petição aí ao lado, é chover no molhado (mas, pelo sim pelo não, pode lá ir assinar "Petição Pelo Pluralismo de Opinião"). Não querendo comentar realidades que não conheço, trago aqui uma inquietação sobre a ameaça que paira sobre um dos jornais europeus de reconhecida isenção. Faço meras transcrições de noticias. A análise é vossa, se estiverem para aí virados:

"O grupo espanhol Prisa, proprietário do El País e também da portuguesa TVI, quer aumentar a sua influência no grupo editorial do jornal francês Le Monde, em que tem uma participação de 15%. De acordo com a edição de ontem do matutino Libération, a Prisa está a negociar um aumento da sua participação para obter direito de veto na designação da estrutura directiva da Redacção."
Ver noticia completa no DN

"A disputa pelo controlo do diário parisiense "Le Monde" assumiu um notório cunho político com a intromissão de Nicolas Sarkozy que, uma vez mais, revela a visão manipuladora e controleira que muitos políticos têm da imprensa."
Ver notícia completa no Jornal de Negócios

Em ambas as noticias o que está em causa é a continuidade da nomeação do presidente da empresa e do director do jornal que são actualmente prerrogativas dos trabalhadores que detêm a maioria do capital na holding Le Monde Partenaires et Associés, senhora de 60,40 % do capital da sociedade anónima Le Monde.