05 novembro, 2010

Caminhos do Meu Navegar - Prefácio

Quando estas palavras passarem à forma mais querida, a de um livro de folhear, daqueles que ocupam espaço, terá uma dedicatória. Neste rascunho, apenas relevo a intenção de o dedicar à Teresa (minha eterna namorada) às minha filhas (João, Sandra e Andreia) e aos meus netos (Marta, Miguel, Duarte, Diogo e à Maria).--

Dedicar-lo-ei ainda a todos os meus leitores que nesta fase decidam comentar estes "manuscritos" semanais. O que acharem por bem dizer, será de algum modo integrado na versão definitiva daquilo que humildemente não rejeito em chamar obra. Seria interessante que eu tivesse a capacidade de diálogo com quem me segue e que o trabalho final pudesse ser um livro colectivo... um livro de quem aceitou navegar pelos meus caminhos ou que me deu os detalhes importantes dos lugares e das gentes. Seus nomes serão registados e seus contributos terão o meu mais profundo reconhecimento.

PREFÁCIO PROVISÓRIO

Escrever o quer que seja, por quem ao longo da sua vida profissional fez da escrita uma narrativa burocrática sob a forma de relatórios, frequentemente destinados ao fundo da gaveta de administradores perdidos na sua incompetência, não será tarefa fácil. Mas como o que custa é o que deus agradece, peguei no desafio. Este prefácio é provisório (o definitivo será a reformulação deste, adequando os seus termos àquilo que a obra final determinar):

ENREDO – “Caminhos do Meu Navegar” não é projecto de um futuro romance, nem será um desfilar de contos, nem de alegorias. Será uma reconstrução de memórias? Será uma sucessão de crónicas e de reflexões? Será uma tese sobre a sobrevivência da alma? Será tudo isso sem trama de personagens urdida em torno de um qualquer fio de história. Estive para lhe dar um subtítulo, “Ensaio sobre o que eu poderia ter sido e feito, se a barca não errasse o destino”. Mas por enquanto não o quero assumir. Até poderei ainda vir a utilizar essa expressão como um título. Fica a incerteza e a intenção. Pode ser que sim, pode ser que não…

OS CAMINHOS – As viagens sobre as quais vou escrever, estão no mapa. São viagens impostas e não escolhidas de entre a oferta turística para destinos de veraneio ou de cultura. São viagens impostas por desígnios que outros consideraram sem me ouvir, replicando-se, assim, a viagem que conduziu à minha própria existência (“eu nem se quer fui ouvido no acto de que nasci”). Não farei reclamações por ter sido introduzido por esses caminhos pois, como parece ter ficado claro, encaro normal no meu passado que me tenham condicionado horizontes. Outra coisa é a forma de navegar. Aí sim, tenho responsabilidades. Sobre como o fiz, o que fiz e o que deixei de fazer. Significa então a minha aceitação por imposições externas na direcção que deve seguir um homem? Sou contrário ao princípio de que cada um deve poder escolher o seu caminho? Claro que não. Mas escrever sobre isso seria escrever sobre a utopia. Não sei se o farei ou se guardarei para outro dia…

OS PERSONAGENS – Escrevi um dia que o ser humano é, como tudo o que é vida, ele próprio (tese) e o seu contrário (antítese). Aquilo que é e vai fazendo resulta desse conflito entre ele e um outro ele (síntese). É esta dialéctica que explica que um poeta pode até ser um ser execrável e hediondo. É essa lei materialista que explica os comportamentos da incoerência entre aquilo que gostaríamos de ser e aquilo que realmente somos, entre aquilo que dizemos e o que fazemos. Entre cada um e o seu contrário existe, assim, um conflito permanente que é moderado por algo muito complexo e que não me atrevo a definir. Chamar-lhe-ei alma, por facilidade de expressão. Não sei se deram conta, mas estes são os personagens permanentes: Eu, o Meu Contrário e a Minha Alma. Estes três personagens terão actores secundários, de entre gente dos três continentes: mouros, pretos, índios, mestiços, falsos brancos, brancos muito atravessados e brancos propriamente ditos, com “pedigree” e tudo. Enfim, todos os que poderiam povoar uma verdadeira "bacia cultural atlântica", para usar uma expressão do inspirador desta minha escrita, José Saramago.

PALAVRAS FINAIS - A escolha das sextas feiras para editar estes textos semanais não é por isto ou por aquilo, é por uma razão muito simples: a primeira das viagens dos “Caminhos do Meu Navegar” foi iniciada em 12 de Julho de 1969, uma sexta-feira.

“Navegar, Navegar, até alunar (destino Angola)" na pág. seguinte

30 comentários:

Anónimo disse...

Fiquei muito curiosa para saber como será, ainda mais depois que falou em viagens.

bjs

folha seca disse...

Caro Rogério
Assim numa de "rapidinha" vim aos blogues para publicar uma coisa sobre o "Meu" Mestre Pimenta" foi de facto o meu primeiro mestre na FEIS, onde ingressei com a categoria de aprendiz aos 11 anos para aprender a fechar o molde. Coisa fácil pois já vinha com cerca de 1 ano de estágio numa outra Fábrica.

Quanto ao "livro" vou ler aos bocados e voltar atráz as vezes necessárias para perceber tudo ao pormenor desde o principio.
Aqui está a virgula promentida...
Abraço

Manuela disse...

Amigo Rogério, como introdução, já aguçou o apetite.
Agora que venham as ditas sextas, para se iniciarem, as nossas viagens!
Beijinhos :)

Wanderley Elian Lima disse...

Olá Rogério
Pelo que li no prefácio, tenho certeza que boas estórias virão por aí. Conquistou um leitor fiel do seu livro.
Abração

Carla Diacov disse...

"ele próprio e o seu contrário"

você, azul e vermelho?


beijo...

ematejoca disse...

Foi um prazer navegar por aqui.

Volto já!

Isa GT disse...

Introdução muito completa... mapa, António Gedeão, ameba, Saramago...
Mas passo, por cá, antes de sexta... ou será que agora só vai haver post um dia por semana?

BFS

Bjos

São disse...

Até porque partilho consigo o fa(r)do dos relatórios escritos para serem enterrados nas gavetas, também aqui partilharei as suas viagens.

Um bom final de semana, meu caro.

Ainda: quero-lhe apresentar desculpas pelos erros que aparecem por vezes nos meus escritos. É que a velocidade mental sobrepóe-se à manual!

maiuka disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
maiuka disse...

Os personagens permanentes são: o "Eu", o "Meu Contrário" e a "Minha Alma", isto é serão o Rogério, a sua consciência e a sua alma?

Se são, e os vai pôr em diálogo, a coisa promete.

Como é que podemos contribuir nestes comentários para que o seu livro seja colectivo? Não percebi bem!

Beijo

Rogério Pereira disse...

Obrigado,
Apenas respondendo:

- Carla Diacov,
as cores não estavam pensadas,
considerarei então o vermelho e o azulão, mas noutra ocasião! Vale?

- Isa,
continuarei a postar diáriamente, talvez com menos texto...

- Maiuka,
esse é o maior desafio. Pôr os meus personagens em confronto... Quanto a formas de participar, vou deixar que avance um pouco no texto, para fazer apelo mais claro. Mas, por exemplo, seria interessante contrapropor determinadas falas da alma dos outros personagens, ou darem-me o nome exacto de um lugar cujo nome não me ocorre, depois explicitarei,OK?

Beijos e abraços

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Este prefácio abriu-me o apetite. De relatórios na gaveta e viagens em exercício profissional, também tenho a minha conta. (Quase) sempre episódios agradáveis, que não me importaria de voltar a viver.
Que venha a próxima sexta.

Ivan disse...

Sexta quem vem iremos todos para Angola!

lolipop disse...

A introdução cumpriu o seu papel
traçar rumos, enquadrar as personagens, dar um vislumbre do "plot"...resta-nos aguardar por bons ventos e marés...à sexta-feira.
Abraço

Isa GT disse...

OK :)

FMF disse...

Promete...

caminhante disse...

gosto muito de ler sobre viagens. se se fala em viagens é porque alguém meteu o pé ao caminho...

estou ansiosa pelo próximo capítulo...

abraçinho...

mdsol disse...

OH meu caro Rogério
Vamos por partes (como o que se propor postar às sextas)

1) - Estou muito curiosa

2) - Não entendi a relação que se pretende entre autor e leitores.

De qualquer modo o projecto parece-me muito interessante.

:)))

Palavras Vagabundas disse...

Rogério,
é tão bom ter um projeto dessa magnitude! Invejinha branca...rs
bjs
Jussara

ariel disse...

Rogério

Muito curiosa por me poder imiscuir nesse conflito entre o seu "eu" e o seu contrário moderado pela alma, a navegar por três continentes...Cá estarei igualmente às sextas, tal como acontece todos os dias da semana.

:)))

Beijinho

Barão disse...

Como "Navegador Solitário" e amante das boas histórias, ao ler este "Começo" identifiquei-me com o objectivo e quero, dentro das minhas limitações, primeiro saudar, e depois apoiar o Rogério nesta epopeia dos anos actuais. Parabéns pela ideia. Vou comentando, sempre que possível, e as minhas ideias me parecerem úteis. Um abraço

Malu Machado disse...

Rogério!!

“Ensaio sobre o que eu poderia ter sido e feito, se a barca não errasse o destino”.

Adorei. Estou louca para ver o seguimento desse navegar.

Um abraço,

Fernanda disse...

Amigo Rogério!

Vamos nessa viagem.
Gostarei muito de saber como fizeste o teu destino, em que mares te perdeste e em que cais encalhaste!

Gostei!
A ideia é genial!
Beijos

Observando e Absorvendo disse...

Ei!
Vim te ler,
retribuir a visita,adoro tudo por aqui sempre.
E tambem desejo agradecer
o selo, que me faz feliz sobremaneira.
Quando a novidade, vou ja colocar na agenda para
acompanhar
fazendo otima leitura no dia especifico.
Gosto muito de te-lo la por meu canto
tambem.
Lindo fim de semana vc e os seus.
Bjins entre sonhos e delírios

Malu Machado disse...

Oi Rogério,
Viu que o selo do lado direito tem link para o seu blog?

Bom, consegui me virar sem a sua resposta rss. Mas se tiver outro jeito de inserir, me avise, tá?
Gosto de aprender.

Um abraço

folha seca disse...

Caro Rogério
Nem sempre durante a semana consigo dar a merecida atenção aos seus posts. Embora visite diariamente o seu blogue, mas confesso (se calhar vai-me chamar beato, porque acho que já disse isto antes) adiante. Nem sempre consigo ter tempo e disponibilidade mental, para apreciar como devia os conteúdos que nos transmite.
Sobre o que escreveu está-me a martelar na cabeça (ou na alma) o link que remete para o poema do Gedeão. Ouve uma fase em que frequentei a JOC (Juventude Operária Cristã) acho que era mais da "operária" chegou-me às mãos um pequeno caderninho, com poemas vários, entre eles, aquele que refere através do link. Nessa fase da minha vida 14/15 anos queria aprender tudo. Imagine que até a tocar viola. Gostei tanto que sem qualquer apoio de "ouvido" comecei a cantá-la e a meia dúzia de notas que aprendi na viola serviu. Mais tarde, penso que pelo Manuel Freire ouvi cantá-la, não era bem a mesma coisa, mas ainda hoje sinto que me aproximei. Pelo menos sei que percebi muito cedo o poema e mais que nunca de facto:“ nem sequer fomos ouvidos"
Abraço

Ana Martins disse...

Boa noite Rogério,
será sem dúvida muito interessante, para começar o prefácio já nos deixa desejosos de conhecer a obra.
Rogério, claro que o considero como um dos meus leitores, leitor, seguidor e amigo.

Beijinhos,
Ana Martins

b disse...

Você
Seu "contrário"
Sua alma
3
número criador.
Vou gostar de acompanhar.

Selene disse...

Olá Rogério, entrei aqui e gostei de tudo.
A tese, a antítese e a síntese prometem belas peregrinações....
Vou por aí!
Celene

Curiosa disse...

Se nasceu em 1968, será grande!
(é o ano de meu nascimento!)
hehehehe ...
as sextas-feiras estarão sendo aguardadas, então ...
beijos pra vc, querido!