17 setembro, 2010

Aceita poemas sempre, mas guarda-os separados!

Aceita o poema
Sempre
Mesmo que pareça
Milho de dar a pardais
Para que esqueçam que a seara
Não existe mais

Aceita o poema
Sempre
Mesmo que fale apenas
De penas,
Madrugadas, neblinas, brisas e luas
Esquecendo o que se passa nas ruas

Aceita o poema
Sempre
Mesmo que, passivo,
Contemplativo
Louve o belo, o corpo, a alma, o coração
Ignorando que cada coisa bela
Nasce de um gesto
Contido na nossa mão

Aceita esses poemas
Mas não os guardes no mesmo lugar
Onde deverás guardar os outros
Aqueles que nos confrontam
com a realidade que somos
Aqueles que falam das searas e do pão
Aqueles que nos falam das ruas e dos caminhos
Aqueles que nos falam do trabalho e da mão


Enfim, todos os que num coro de hinos
Ou protestos, cantados
Entram na verdade de nós mesmos

Os outros? Os outros são devaneios necessários...

(Dedicado à Maria, nascida ontem)