23 novembro, 2012

Poesia (uma por dia) - 1

IMAGEM - The Charnel House - Pablo Picasso 1944/45

NAVALHA OBLÍQUA EM BECO SEM SAÍDA 
 (Em soneto de nove sílabas métricas)
É tão crua esta oblíqua navalha
Que apunhala os sentidos da gente,
É tão suja, é tão vil que não falha;
Assassina e… disfarça, inocente!

Se debalde lhe foge a canalha
Que afinal lhe foi sempre indiferente,
Ela fixa, encurrala e estraçalha
Cada um dos que em fuga pressente…

Mas que importa a navalha cruenta
Do poder que nos quer degolar
Se outra força imperiosa argumenta

Numa voz que até mortos sustenta
E nos diz que é morrer ou lutar
Se, à traidora, nem sangue a contenta?

Maria João Brito de Sousa  /  PekenasUtopias