28 novembro, 2012

Poesia (uma por dia) - 5

  Vladimir Kush

ÁRIA BREVE PARA ALUMIAMENTO DE SOMBRAS
Semeio-te, sonho, nas sílabas solares
desta sala iluminada onde o tempo
dobrado ao lado da manta, no sofá
nos propõe depor canseiras
e cansaços.

Torna-se lúcida a imaginação
E por isso o meu poema é
tecido nas linhas certas
de talhar desacertos e
inseguridades.

Em breve
nada compensará
o anseio da terra
no inconformismo
das mãos.

Sabemo-lo.
Colhemos assim
os últimos frutos do verão e
enganamo-nos deliberadamente
quanto à doçura ressequida da polpa,
uns procurando poupar os outros
porque somos folhas
de um só ramo às portas
do inverno.

Aprendemos juntos a não chamar brisa
ao vento destruidor que nos varre
nos derruba, nos divide,
nos engole.

Criamos um plano de invencibilidades
como um mapa de incontornáveis
afectos sem fronteiras
no qual poderemos
viajar sem nunca
nos perdermos.
Lídia Borges / Seara de Versos