22 novembro, 2012

Ainda a Greve Geral e as manipulações de um jornal...


Com chamada de primeira página, saiu um extenso artigo usando um estudo antigo (pré-troika) para fazer vingar uma tese moderna... O tal estudo "data de 2010, ano em que José Sócrates governava e António Dornelas, do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE e ex-secretário de Estado de António Guterres (e, insuspeito, participa agora em tribunais arbitrais sobre pré-avisos de greve), dizia "que "não há uma causa única" para este declínio da participação nos movimentos colectivos de protesto". (todo este texto foi + ou - copiado daqui)

Não havendo uma causa única há uma que se destaca, a "chantagem" dos patrões e os apertados orçamentos familiares: "Uma sondagem da Universidade Católica Portuguesa, divulgada no início do mês, indica que 59% dos portugueses apoiam a greve geral marcada para a próxima quarta-feira, embora apenas um terço tenha afirmado que vai aderir. A indisponibilidade em fazer greve é menor nos funcionários públicos (26%) do que entre os trabalhadores precários (só 7% admitiram aderir)." - a sondagem referia-se a uma greve geral realizada em Novembro de 2010.

Claro que o artigo antigo e o destaque agora dado pelo Expresso não é inocente e alimenta argumentos de certa gente, e até de um meu amigo que, de pronto, se põe a discorrer sobre os malefícios do sindicalismo. E cismo...

Cismo no que lhe responderam e no que eu lhe disse (mais ou menos isto): 
Desligar a evolução do sindicalismo da hecatombe que ocorreu no aparelho produtivo é ser pouco sério na análise das questões sindicais. Ignorar que a terciarização da economia colocou a precariedade num lugar em que a entidade patronal passa a ter poderes ilimitados, é querer ser cego e cegar quem queira pensar. Ignorar que a grande malha de empresas é constituída por unidades em que o patrão é também empregado, é um erro deliberado... O afundamento da economia retrai a luta mas não a mata. O medo será ultrapassado. Tarde ou cedo. Mais cedo que meu amigo espera e o Expresso deseja...
(imagens com dados da pordata)