18 novembro, 2012

Geração sentada, conversando na esplanada - 19 (a violência)

(Ler conversa anterior) 
"Eu sou contra a violência porque parece fazer bem, mas o bem é só temporário; o mal que faz é permanente" - Mahatma Gandhi  
"Violência é uma das coisas mais divertidas de se assistir (…) Adoro a violência. Às vezes eu acho que Thomas Edison inventou a câmara só para que pudéssemos filmá-la." - Quentin Tarantino  
"A questão está em ver o resultado desses incidentes que, objectivamente  serviram para tentar esconder, esbater, esse grande acontecimento social e político, esse marco na história da luta dos trabalhadores portugueses, a greve geral" - Jerónimo de Sousa   

A Ana aproveitou o sol e isolou-se (mais uma vez) do grupo...

O sol quando nasce é para todos e, assim, o dia estava soalheiro para todos nós: para elas, para mim, para o senhor engenheiro e, até, para o seu rafeiro. Mas não chega estar um dia de sol para que todos nos sentirmos felizes. Assinalo, que de todos, o menos feliz era o rafeiro. É que o cão, por cada movimentação, levava pesada pisadela. Não reagia, a não ser a manter as orelhas caídas, a cauda parada e os olhares resignados. A cada pisadela o cão mudava de posição. Não sei se o coitado poderia tirar algum proveito ou vantagem de ser corpulento, ter caninos afiados e de ser de raça atravessada (que é pouco fiável para comportamento afável). Ele ali estava, convivendo como podia com a adversidade de ser cão... 

O velho engenheiro manteve-se calado o tempo inteiro. Elas falavam pelos cotovelos, até a Ana sair do grupo e se isolar, a pouca distância...
- Sabem? Aquilo na Palestina não pára...
- Eu vi... no telejornal... Israel tem todo o direito em atacar
- E se o ataque que Israel sofreu, tiver sido mera provocação? Se houver, em território palestino, quem lance falsas ofensivas para a retaliação acontecer... assim... brutal...  
- A reposta de Israel é dada pela medida exacta...

A Ana que se tinha afastado, regressa ao grupo e diz, em voz transtornada, o poema que estava escrito no site que mantinha aberto:
a Força Exacta é violência.
a Força em espirro, ao acaso, não é violência, é existência.
O mal é Fixar a Força (direccioná-la) porque a natureza espontânea não o FAZ.
Natural é ser FORTE, isto é, avançar.
Violento é o Percurso que antecede o viajante. Antes dos pés: Sapatos; a estrada.
A Força Exacta é violência.
A natureza não tem, nunca teve, Forças EXACTAS.
E tudo o que o homem faz é tornar exacta a FORÇA.
Ser violento é construir; todo o Edifício é violência.
O homem é o Exacto da Natureza; a falha NATURAL; o Erro.
Deus errou:
fez o homem EXACTO.
- Quem escreveu?

Pensei, calado: gostava ter sido eu

8 comentários:

Maria disse...

"Do rio se diz que é violento
mas ninguém diz violentas
as margens que o oprimem"

B.Brecht

(foi o que este post me lembrou, na sua parte final)

Maria João Brito de Sousa disse...

Não me sinto nada exacta - sim, entendi todos os subentendidos - mas também, pontualmente, me sinto muito pouco coincidente com as aspirações e pulsões da maioria dos humanos...
Talvez estejamos todos mal acabados...

BlueShell disse...

Já li este texto...há bem pouco tempo....

Gostei do modo como o apresentas!


Boa semana

BShell

António Jesus Batalha disse...

Meu nome é António Batalha, estive a ver e ler algumas coisas de seu blog, achei-o muito bom, e espero vir aqui mais vezes. Meu desejo é que continue a fazer o seu melhor, dando-nos boas mensagens.
Tenho um blog Peregrino e servo, se desejar visitar ia deixar-me muito honrado.
Ps. Se desejar seguir meu blog será uma honra ter voce entre meus amigos virtuais,mas gostaria que não se sinta constrangido a seguir, mas faça-o apenas se desejar, decerto irei retribuir com muito prazer. Siga de forma que possa encontrar o seu blog.
Deixo a minha benção e muita paz e saúde.

maceta disse...

tambem a Natureza se lembra ( quando quer)de explodir em catástrofes...

Fê-blue bird disse...

Comento com o mesmo autor:

Linguagem Violenta: a Única Linguagem violenta: a única.
A outra é: Sedução ou Submissão.
Ou seja, o mesmo medo: recear estar só.
Quando se fala, fala-se. No alto da matéria e do espírito.

Gonçalo M. Tavares

jrd disse...

Lembrei-me de Brecht:
Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem.

Abraço

Graça Sampaio disse...

Foi exatamente o nosso próximo prémio Nobel da Literatura (Saramago dixit)

Ai Israel, Israel...