05 novembro, 2012

De cada um o que puder dar, recebendo em troca tudo o que precisa - 3 (Marinaleda/Sevilha)

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"Já lá vai o tempo – que, olhando para trás, parece ser idílico – em que os indivíduos ou grupos relativamente pequenos podiam ser completamente auto-suficientes. É apenas um pequeno exagero dizer-se que a humanidade constitui, mesmo actualmente, uma comunidade planetária de produção e consumo. 
Cheguei agora ao ponto em que vou indicar sucintamente o que para mim constitui a essência da crise do nosso tempo. Diz respeito à relação do indivíduo com a sociedade. O indivíduo tornou-se mais consciente do que nunca da sua dependência relativamente à sociedade. Mas ele não sente esta dependência como um bem positivo, como um laço orgânico, como uma força protectora, mas mesmo como uma ameaça aos seus direitos naturais, ou ainda à sua existência económica. Além disso, a sua posição na sociedade é tal que os impulsos egotistas da sua composição estão constantemente a ser acentuados, enquanto os seus impulsos sociais, que são por natureza mais fracos, se deterioram progressivamente. "
Por pena minha (e, se calhar, por pena nossa), a utopia de Marinaleda  será, tarde ou cedo, metida na gaveta. Einstein explica, nesse texto tão actual, que os grupos relativamente pequenos como os cerca de três mil generosos habitantes daquele pequeno município (tal como os de Tamera ou Volos) estão condenados pelo sistema, que, se não os engolir, os neutralizará. Até lá, o alcaide viu a sua posição reforçada, pelos habitantes de Marinaleda, nas eleições municipais de 2011... O socialismo está mais longe do que ali parece... ou talvez não!



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