25 novembro, 2012

Poesia (uma por dia) - 3


INQUIETANTES DIAS SEM MEMÓRIA...
Inquietantes os dias sem memória
Como se o magma em que se despenham
Fosse apenas mar de sargaços.

E o sol que das cigarras tem o canto
Fossem pingos de chuva. Gelados.
E as bocas fossem apenas grito sufocado. E o cântico
Vazio das almas saturadas...

Ou fossem vãos desertos
Das portas...

Caminhamos injustiças como quem apascenta
Descuidados rumores da fome. E (des)esperamos
Que nesta auréola de frio escorra o sémen
Das horas. E germine a vibração do tempo...

Incertas as praças. Prenhes embora de couraçados.
E auroras faiscantes...

Lá longe o farol clama.
Na intermitência das dores. E dos relâmpagos...