19 abril, 2013

"Chão de Claridades", de Eufrázio Filipe


É hoje! Vou lá estar. Estejam também

AINDA HOJE TE CHAMO ESCARPA

Inesperada uma lágrima
na rebentação das águas
fez-me andar eternidades
silêncios de carne e osso
à pergunta dos teus relâmpagos

Inverosímil lá estavas
íntegra
a dedilhar uma pedra
nos passos da areia

num afago de mãos
a colher o perfume silvestre
das maresias

Tinhas um Cristo
cruxificado nos olhos
e eu não sabia
se te chamavas pedra
barco flor ou pássaro

Ainda hoje te chamo escarpa

Eufrázio Filipe, in "Chão de Claridades"