22 abril, 2013

Sérgio Ribeiro, disse-me um dia que Cesário Verde lhe ensinou amplas lições de economia...

Edvard Munch, Karl Johan ao Anoitecer
Enquanto animava um debate inadiável, Sérgio Ribeiro citou. E eu fui ver o que ele tinha citado: 
(...)
Mas tudo cansa! Apagam-se nas frentes Os candelabros, como estrelas, pouco a pouco; Da solidão regouga um cauteleiro rouco; Tornam-se mausoléus as armações fulgentes. 
«Dó da miséria!... Compaixão de mim!...» E, nas esquinas, calvo, eterno, sem repouso, Pede-me esmola um homenzinho idoso, Meu velho professor nas aulas de Latim!  
(...)  
Cesário Verde, extracto de "Sentimento de um Ocidental"

7 comentários:

Caroline Godtbil disse...

Adorável!
A obra... o sotaque.
Obrigada por esse deleite.
Beijos.

Maria João Brito de Sousa disse...

Eternos, estes dois; Cesário e Mário Viegas!


Abraço!

jrd disse...

"Se eu não morresse nunca e eternamente buscasse e conseguisse a perfeição das coisas!"
Cesário Verde

JP disse...

E que diria hoje Mário Viegas?

Não sei...mas imagino!

Abraço

Mar Arável disse...

O Sérgio - o Mário e o Cesário

Uma bela trilogia
Boa partilha

Lídia Borges disse...


Cesário Verde, o precursor do Modernismo em Portugal que abandona os temas "nobres" e abre o poema às coisas tocáveis da vida...

Mário Viegas, o melhor dizedor de sempre, na minha opinião.


Um beijo

Fernando Ribeiro disse...

Pois a mim, quem me deu as primeiras lições de economia a sério, foram Sérgio Ribeiro e o falecido Blasco Hugo Fernandes. Foi muito antes do 25 de abril, era eu ainda adolescente, quando eles deram uma conferência conjunta numa das instituições culturais daqui do Porto, já não tenho a certeza de qual. Foi a primeira vez em que ouvi falar nas relações de produção, na apropriação das mais-valias, na luta de classes, etc. Nunca mais esqueci essa conferência, em que pela primeira vez abri os olhos para a realidade social e económica em Portugal e no mundo. Estou profundamente grato a Sérgio Ribeiro e a Blasco Hugo Fernandes.