24 janeiro, 2014

O poema, o panfleto, o medo e uma ida a Davos

No Centro de Saúde de Oeiras esperava a chamada e enquanto isso ia-me concentrando naquilo em que nos concentramos enquanto esperamos: nas pessoas, nas paredes, em quem passa e depois em detalhes de tudo isso. Numa parede, por baixo do painel electrónico das chamadas - que uma avaria "antiga" tirara há muito essa importante função - estava algo que atraia a atenção. Era um quadro com algo escrito que durante a espera já tinha sido visitado por vários médicos. O sorriso incontido de cada um que o lia desafiou-me para eu próprio o ir ler. Era um poema. Um poema do Gonçalo. Li, li duas vezes e percebi que por detrás da metáfora estava um panfleto, vencendo o medo, mas sem a ousadia de ser mais claro.
Pensei, então, no que o jovem médico terá ido fazer a Davos, e não pude deixar de me interrogar das verdadeiras razões. Defender ou vender? A defesa pode ser uma boa argumentação de venda...
A Grande Inteligência é Sobreviver

A grande Inteligência é sobreviver.
As tartarugas portanto não são teimosas nem lentas, dominam;
SIM, a ciência.
Toda a tecnologia é quase inútil e estúpida,
porque a artesanal tartaruga,
a espontânea TARTARUGA,
permanece sobre a terra mais anos que o homem.
Portanto,
como a grande inteligência é sobreviver,
a tartaruga é Filósofa e Laboratório,
e o Homem que já foi Rei da criação
não passa, afinal, de um crustáceo FALSO,
um lavagante pedante;
um animal de cabeça dura. Ponto.

Gonçalo M. Tavares