30 janeiro, 2014

Poesia (uma por dia) - 59

MÃO(s)

A mão que esboça o verso, ampara a vida,
Transporta o saco cheio, amassa o pão,
Cava o torrão mais duro e, mesmo f`rida,
Prefere a dor sentida a nem ser mão…

Renasce a cada causa antes perdida
E tece e fia e doba e faz questão
De, sobre a tela pronta e já tecida,
Lavrar, do próprio gesto, a criação…

A mão trabalha ainda, a mão persiste
E até quando algemada ela se agita;
Ou se livra da peia… ou lhe resiste!

Será por cada mão que não desiste
Que a força de que o mundo necessita
Justifica a razão que ao povo assiste…

Maria João Brito de Sousa, no FB