31 janeiro, 2014

Poesia (uma por dia) - 60

Até que o Sol nos apareça

Uns dizem palavras de desalento
Outros que esperam ter esperança em Maio
A maior parte, não fala e quando saio
Oiço queixas veementes de tão mau tempo

Resguardo-me dos estados de alma
E do silêncio resignado e mudo
Avanço chuva adentro, que não se acalma
Sem esperar que lave os males deste mundo

Meu irmão falou-me de relâmpagos, na escarpa
A nuvem falou-me de trovões e do vento
Um raio que parta tudo isto, ouvi neste momento
Desabafo da impotência que daquela voz se escapa


Avancemos, chuva adentro
Chuva adentro
Até que o Sol nos apareça, e brilhe                           como se fosse Abril
Rogério Pereira

9 comentários:

Anónimo disse...

Gostei muito! É motivador e aquece, nesta manhã realmente fria...

O Puma disse...

Na verdade ser de esquerda

não é ser canhoto

Lá estaremos

manuela baptista disse...

como se fosse

porque é, abril


um abraço, Rogério

Barbara disse...

coisas de governos, de países, coisas do capital covarde capital, coisas de inverno e o sol sim, disfarça com seu ouro o arranhado da chuva e do frio na pele no corpo na alma na cidade e nos países .
Prá isso o inverno serve : para resgatar a verdade que também arranha mas ao menos não ficamos expostos a reflexos mentirosos e sim, estou falando do mundo em geral, não de seu ou meu país.

São disse...

Espero que do inferno que é este inverno saia um sol radioso que em vez de cravos faça de Abril um campo de justiça, com quem deve ser condenado em prisões!

Mas a esperança não é muita...

Bom fim de semana

heretico disse...

a Poesia é uma arma - tens razão!

abraço

jrd disse...

No Abril de todos nós até a chuva brilha, porque não estamos sós.

Graça Sampaio disse...

Muito bonito o poema! especialmente a estrofe de conclusão. Muito poética. Muito profética!

Parabéns pelo otimismo!

Anónimo disse...

Gosto tanto deste teu poema, Rogério!

Maria João