05 setembro, 2012

Gil & Freitas e as ideias feitas...


Freitas olha e escuta atentamente (ou displicentemente?) 

Depois de entrevistar António Nóvoa, Fátima Campos Ferreira faz ouvir José Gil e, há poucas horas, o Freitas. Sobre o professor Nóvoa, já referi que é um querido, esclarecendo que este "querido" ter o sentido de merecer a pena continuar a ser ouvido, até por ter deixado no ar ideias que contrariam (pouco, mas contrariam) o actual paradigma.

Sobre José Gil (ontem), começo por declarar que não tinha expectativa nenhuma. A dramática situação vivida obrigaria, a um intelectual com a sua reputação, que não esperasse por uma oportunidade de agenda de televisão, para vir a intervir publicamente. Pede-se isso a qualquer intelectual que se queira interveniente... Por isso não esperava nenhuma ideia forte. Se o gostei de ouvir? Tanto quanto a um observador atento da realidade e que a sabe descrever e comunicar bem. Mas posso dizer que me surpreendeu. Surpreendeu-me logo no inicio, ao confessar "ter medo de poder a vir a ter medo". É que receio bem que é exactamente essa a razão pela qual se esconde por detrás da sua obra e do prestígio alcançado para se manter calado. Saramago acusava disso os escritores e continua a ter razão. Um país em que as elites intelectuais se acagaçam  e só abrem a boca para responder ao que lhe perguntam é um país que necessita de "um bom susto". Mas houve outra surpresa, no final, José Gil, faz uma surpreende antevisão do que pode vir a ser uma revolução: a contaminação das ideias pacificas, que se querem expressas de modo diferente, podem dar origem a uma agressividade e violência sobre as quais não temos qualquer experiência.
No discurso redondo, nem uma ideia nova, nem uma palavra de esperança.

Quanto a Freitas, desisti de ouvir. Desisti no momento em que, com a cara mais séria deste mundo e sem ponto de ironia, disse que Passos Coelho não mentia... talvez tivesse dito alguma coisa digna de anotar, se o fez, façam o favor de me alertar!