13 setembro, 2012

Medo, medos... (4)

Depois de sermos crianças, o medo é o que resta de uma mente mal desperta...
O medo, visto por dentro
Não sei definir medo
Só sei que gostaria
que o medo pudesse ser
qualquer coisa de tangível,
de apalpar, de cheirar e de se ver
E se o fosse, que fosse redondo,
que rolasse e tudo à frente esmagasse
E que se tivesse cheiro,
que fosse o do sebo salazarento
E que ao tacto se sentisse a impressão
do fogo vivo das fogueiras da inquisição
Depois, o medo podia ser apontado
e, sei lá, até cortado

Ver-se-ia que o medo
Não tem nada dentro
Rogério Pereira