05 setembro, 2012

Portugal arde por (quase) todos os lados, ou, o fogo lento e as chamas vivas...

Foto retirada de "O Sítio dos Desenhos" com o título "Que lindo"

Portugal arde por (quase) todos os lados. Os portugueses, vão ardendo em fogo lento, muitos, que nem sapos, sem sentirem que a temperatura chegará ao ponto em que serão cozidos, mansamente, sem darem por nada ou quando derem será tarde. Arde o território nacional. Uns e outros ardem e sustenta-se que tal acontece pela inevitabilidade do não haver mais nada a fazer. Num caso é por razões "explicadas" até à exaustão. Noutros é porque a temperatura se eleva, o tempo não ajuda e há pirómanos por todo o lado. O carneirismo aceita tudo isso, pois tudo isso é "bem explicado"!
Mas, como dizia ao principio, nem todo o Portugal arde. Nem ardem todos os portugueses, nem todo o território está ardendo. Falando de fogos florestais há áreas imensas onde o fogo pouco ou nada entra. São áreas de interesse económico claro, associada à exploração florestal, da Portucel-Soporcel e do Grupo Amorim... O que quer dizer que, se há rentabilidade económica numa dada exploração, ela não arde não (ou arde pouco). O facto, o principal facto, é que há uma riqueza nacional convertida em pouco mais que mato. E o mato despreza-se e ... arde. A principal causa dos incêndios é resultado do desleixo e da falta de aproveitamento dessa riqueza imensa que é a floresta portuguesa. A principal, mas não a única. Some-se àquela a desertificação do espaço rural e a falta de prevenção. Sobre este último aspecto, retiro, deste artigo, esta esclarecedora passagem:
"As políticas de prevenção e vigilância, por um lado, e combate aos incêndios, por outro, são obviamente críticas para garantir que Portugal não é ano após ano um território a arder. E há um conjunto muito relevante de propostas, das quais ressalta, por um exemplo, um trabalho da Cotec, há meia dúzia de anos, sobre florestas, que os sucessivos governos ignoraram. E, fizeram pior, porque mudaram a organização dos organismos que têm responsabilidade na gestão da floresta e no combate aos incêndios de um ano para o outro, de um ministro para o outro, ou ‘incentivados' por incêndios marcantes."
Estamos (quase) todos a arder? Estamos!, e com vossa permissão, podem crer!
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AQUI, OUTRA LEITURA INDISPENSÁVEL 


Em anexo: Artigo publicado no Agroportal e sitio da Afocelca