15 dezembro, 2012

Álvaro Cunhal, "Porque nenhum de nós anda sozinho / E até mortos vão a nosso lado.” - 5

pintura de Álvaro Cunhal
Muitos dirão entre o tom displicente e o descrente: mais uma manifestação. Eu não me interrogo, tenho a certeza que, mais dia menos dia, esses que olham a rua, de forma distante, reconhecerão que vale a pena ser a água corrente, insistente, batendo em pedra dura.

A persistência tem antecedentes. A 2 de Maio de 1950 iniciou-se o julgamento de Álvaro Cunhal no Tribunal Plenário da Boa Hora. Na bancada da acusação, a PIDE. Na bancada de defesa, o seu pai, Avelino Cunhal e Luís Francisco Rebelo. No entanto, o dirigente comunista encarregou-se da sua própria defesa e de improviso, nos dois primeiros dias do julgamento, falou durante mais de dez horas. E  como parecem actuais tais palavras...

“Nós queremos que a política seguida em Portugal seja efectivamente portuguesa, seja determinada pelos interesses da maioria da população portuguesa e não pelos interesses de um ínfimo punhado de multimilionários que se tornam cúmplices dos imperialistas estrangeiros nos conselhos de administração das grandes companhias. Nós queremos que a independência portuguesa seja uma realidade vivida pelo nosso povo e não uma frase para fins publicitários.” -  (Álvaro Cunhal, Maio de 1950)

8 comentários:

Mel de Carvalho disse...

Álvaro Cunhal será sempre uma referência,e, se algo posso ambicionar é que a sua memória jamais seja esquecida, no respeito e na admiração que lhe é devida.

Bem haja
Mel

Rosa dos Ventos disse...

Premonitório!

Branca disse...

Homens como Álvaro Cunhal precisam-se, homens que são um monumento! Inesquecíveis.

Beijos

Maria João disse...


Os grandes pensadores afirmam-se pela intemporalidade das afirmações que proferem.
Álvaro Cunhal será alguém cuja memória nunca pode esquecer, sob o risco de esquecer a própria história e o que dela ainda se escreve do muito que se escreveu.

Um abraço, Rogério

maceta disse...

a coragem e a inteligência nem sempre se combinam no mesmo ser...

Lídia Borges disse...

"Nós queremos que a independência portuguesa seja uma realidade vivida pelo nosso povo e não uma frase para fins publicitários.”

A atualidade das palavras prova que 50 anos de fascismo não foram suficientes para que as pessoas percebessem que há "coisas e ideias" que nunca nos deixarão progredir, nunca nos deixarão apreciar o verdadeiro sabor da Liberdade.

Lídia

Maria João Brito de Sousa disse...

E, como tão bem realçou a Lídia Borges citando AC, continuamos a querer "...que a independência portuguesa seja uma realidade vivida pelo nosso povo e não uma frase para fins publicitários."

Abraço grande!

Anónimo disse...

Homens como Álvaro Cunhal precisam-se, homens que são um monumento! Inesquecíveis.

Beijos