09 dezembro, 2012

Poesia (uma por dia) - 12

Pintura de Margarida Cepêda 

FRAGRÂNCIAS DE OUTONO
"Era um navegante da vida. 
O tempo, supremo e decisivo escultor, mostrou-lhe a inutilidade do ruído, ensinou-lhe a moldar o filtro do supérfluo. Com as plantas aprendeu a fidelidade, plena de equilíbrios, no voo das aves percebeu os contornos da liberdade. Das flores, aroma indispensável a qualquer harmonia, entrou no mundo da subtileza. O espreitar das estrelas, sempre tão longe e tão perto, acentuou-lhe a percepção da infimidade. Tudo claro, tudo natural, como que obedecendo a leis do mais puro desígnio. 
Lá fora, quais eternos aprendizes de feiticeiro, os homens continuam a manipular as flores à imagem da sua sombra." 

8 comentários:

BRANCAMAR disse...

Um amigo que nunca perderei, que tal como o Rogério conheci já numa contagem decrescente da minha presença na blogosfera que se prolongou por mais de 5 anos, mas que demorou dois anos a chegar ao fim por isso mesmo.
O AC além de escrever muito bem, surpreendeu-me por ser uma pessoa atenta, inteligente e sensível, uma pessoa sóbria. Este texto diz-nos isso mesmo, fala-nos de um homem com essa subtileza de espírito, mas que reconhecendo as injustiças não deixa de ser duro com elas.

Beijos para ti Rogério e para o AC.
Estarei por lá sempre que puder e por aqui, tal como estamos naturalmente com os nossos amigos de sempre, sem pressões, nem obrigações, porque sabemos que eles sempre nos aceitam e nós também.

Branca

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Gostei de ler mas tenho dificuldade em comentar.
As coisas que aqui escreve e partilha são muito mais alem do que se vê numa passagem rápida.

Obrigado pelas suas visitas e aqui lhe deixo um abraço de respeito e amizade.

Ana Tapadas disse...

Um texto sensível e justo, esculpido na palavra.


bj e obrigada pela partilha.

Maria João Brito de Sousa disse...

Caramba! Tivesse eu tempo e ainda me apaixonava pela escrita do AC... e sinto o que digo, quando digo o que sinto!

Abraço!

© Piedade Araújo Sol disse...

AC escreve muito bem, e a prova disso está aqui neste texto em prosa poética.

e é preciso manter o equilíbrio.

muito bom

beijos

jrd disse...

Um belo texto. Muito bem escrito.

MARILENE disse...

Beleza de texto! São os seres humanos que estragam a beleza da vida, impedindo sua própria felicidade. Bjs.

AC disse...

Rogério,
Fiquei deveras satisfeito em ver por aqui as minhas palavras, fico-lhe grato pela atenção.

Abraço