11 dezembro, 2012

Talvez se enganem...



A transferência dos serviços públicos para o sector privado é uma estratégia planeada. No ensino,  está a ser conduzida de forma sinuosa, labiríntica e violenta. Do aumento, agora, da carga horária dos professores aos mega-agrupamentos, passando pelo que no video é denunciado, tudo parece ser lançado com desnorte. Nada mais errado. Tudo está planeado. No meio, os professores, são sujeitos a uma tortura impiedosa. Os golpes são sucessivos e cada golpe novo é mais duro e violento que o outro. 

Com a dor espera-se que o corpo se lhes torne dormente e percam a capacidade de reagir. 

Talvez se enganem...
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"A GPS é um poderoso grupo. 26 escolas de norte a sul do País, invariavelmente ao lado de escolas públicas e com contratos de associação com o Estado. Em 10 anos criou mais de 50 empresas em várias áreas, do turismo às telecomunicações, do ensino ao imobiliário. António Calvete, presidente do grupo GPS, foi deputado do PS no tempo de Guterres e membro da Comissão parlamentar de Educação. Para o acompanhar nesta aventura empresarial chamou antigos ministros, deputados, diretores regionais de educação. Do PS e do PSD: Domingos Fernandes, secretário de Estado da Administração Educativa de António Guterres, Paulo Pereira Coelho, secretário de Estado da Administração Interna de Santana Lopes e secretário de Estado da Administração Local de Durão Barroso, José Junqueiro, deputado do PS. Todos foram consultores do grupo GPS. Mas entre os políticos recrutados pela GPS estão as duas principais figuras desta história: José Manuel Canavarro, secretário de Estado da Administração Educativa de Santana Lopes, e José Almeida, diretor Regional de Educação de Lisboa do mesmo governo. Foram eles que, em 2005, assinaram o despacho que licenciava a construção de quatro escolas do grupo GPS com contratos de associação para receberem alunos do Estado com financiamento público. Ainda não tinham instalações e já tinham garantido o financiamento público dos contratos de associação. Ou seja, havia contratos de associação com escolas que ainda não tinham existência legal. Um despacho assinado por um governo de gestão, a cinco dias das eleições que ditariam o fim político de Santana Lopes. Depois de saírem dos cargos públicos foram trabalhar, como consultores, para a GPS. E nem um despacho do novo secretário de Estado, Waler Lemos, a propor a não celebração de contratos de associação com aquelas escolas conseguiu travar o processo. Alguns estudos recentes falam dos custos por aluno para o Estado das escolas públicas e privadas. Esta reportagem explica muitas coisas que os números escondem. Como se subaproveita as capacidades da rede escolar do Estado e se selecionam estudantes, aumentando assim os custos por aluno, para desviar dinheiro do Estado para negócios privados. E como esses negócios se fazem. Quem ganha com eles e quem os ajuda a fazer. Como se desperdiça dinheiro público e se mexem influências. A reportagem da TVI não poderia ter sido mais oportuna. Quando vier de novo a lenga-lenga da "liberdade de escolha", das vantagens das parcerias com os privados, dos co-pagamentos, da insustentabilidade de continuar a garantir a Escola Pública, do parque escolar público ser de luxo... vale a pena rever este trabalho jornalístico. Está lá tudo. O resumo de um poder político que serve os interesses privados e depois nos vende a indispensável "refundação do Estado". 

Daniel de Oliveira / Publicado no Expresso Online

12 comentários:

Isa GT disse...

Isto de andarmos a pagar ensino privado... não tenho palavras.
Pago impostos, não tenho possibilidades de pôr o meu garoto num colégio mas pago o colégio dos outros... há coisas que custam a engolir.

Bjos

jrd disse...

Nada como o GPS para eles se orientarem...todos!

Fada do bosque disse...

Olá Rogério.

Muito mau está o panorama. Nada que me surpreenda, pois como Nação pivot e cobaia da engenharia social para a Nova Ordem Mundial, nada de bom se pode esperar. Enquanto Rockfeller diz isto:

“O mundo está suficientemente preparado para se submeter a um governo mundial. A soberania supranacional de uma elite de intelectuais e de banqueiros mundiais, seguramente é preferível à autodeterminação nacional”,

Gustavo Barroso diz: “No fundo da alma de qualquer povo dormem, ignoradas, forças infinitas. Quem as souber despertar, moverá montanhas”. Eu acredito neste último.

Janita disse...

Pois, Rogério, talvez se enganem!...mas só se aparecer alguém que saiba despertar essas forças que começam a esmorecer na alma do povo, que já nem sabe para onde se virar nem o que mais fazer.
Lá acreditar, eu acredito, mas não vislumbro no horizonte ninguém que nos conduza para a saida deste labirinto...

Beijinhos.

quem és, que fazes aqui? disse...

Concordo com o que afirmam tanto a Fada do Bosque como a Janita.


Relativamente à reportagem muito poderia dizer.

Acrescento:

as inspeções quando chegam às escolas (privadas e/ou públicas)já, pelo menos 15 dias antes, se sabe. Há escolas onde até os professores são escolhidos para prestarem declarações aos inspetores...,

há escolas onde apenas uma única lista para a eleição da Direção se apresenta e perde. Nova ronda de eleição e, pasme-se, ganha por dois votos...

há escolas...

E também muitos professores com medo.

A última é a da atualização de dados do Registo Biográfico /Rrofissional numa plataforma que não se entende bem que efeito terá. Fácil de se saberem tais dados, pois os processos estão nas Secretarias das escolas. No entanto, esses dados são pedidos aos professores, via mail o qual termina assim:

"Agradecemos a disponibilidade para proceder ao preenchimento dos dados solicitados, com a maior brevidade possível, de modo a permitir a sua validação em tempo útil e a sua utilização em todos os processos que se vão desenvolver já a partir do ínicio de 2013.
Refiro por fim, a enorme importância que este registo tem no futuro de todos os docentes."

Uma clara ameaça pois de Professores do Quadro de Nomeação Definitiva (efetivos) passaremos a ser tidos e a ter um

“contrato de trabalho em funções públicas por tempo indeterminado”,

Ora como o tempo é indeterminado nada nos garante que, logo no dia seguinte, não sejamos despedidos.

E eu continuo a interrogar (-me) sobre quem terão sido as bestas dos professores que permitiram que estas bestas estejam onde estão!

Beijo

Laura, em revolta

Enviei-lhe o mail recebido e a que aludo

Ana Tapadas disse...

O comentário anterior...aspas, aspas...e mais haveria a acrescentar.

Beijo

Lídia Borges disse...


É um saque em todos os domínios...

Vai sendo tarde para inverter este estado de coisas.

Lídia

Fê-blue bird disse...

Perante tudo o que foi escrito, tanto no seu post como nos comentários, fico-me com este apelo:

Para quando o fim desta tragédia!

beijinho

Rosa dos Ventos disse...

Uma história que tem anos e que conheço de perto! :-((
Uma vergonha!

O Puma disse...

Só não vence

quem não luta

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Todas as privatizações estão a ser planeadas com grande esmero. De modo a serrem suficientemente opacas e ...proveitosas para alguns.

maceta disse...

nada fica estático e o tempo é um remédio milagroso...