13 dezembro, 2012

Poesia (uma por dia) - 16


sentido
... talvez te pudesse falar do inverso dos caminhos
dos escudos colocados
em que a pele não se atreve a respirar

e de como são livres todas as ilhas
e meus
entre os teus dedos
todos os aromas do caramanchão do jardim

talvez te contasse do arco-íris
dos dias macios
a anteceder os dias plúmbeos;
dos meus lápis de cera
do teu rosto que afago

da flor do cardo
a reflorir, noviça e vitalina, na noite escura

e desta luz cindida que ocupa o teu lugar
e (nos) ilumina...

talvez, por certo, ainda,
houvesse nos meus olhos, sereníssimos lagos,
à linha d'água,
lugar aos teus
dulcíssimos

- colo e desejo rasgado -,

se me és, inequívoco, sol e barca solar,
suprema nota,
aragem íntima e última, da harpa da vida...

Mel de Carvalho / Noite de Mel

6 comentários:

São disse...

Agradeço a partilha e desejo-te bons sonhos

Mel de Carvalho disse...

bem-haja, Rogério. o meu IMENSO obrigada, sensibilizada com o seu generoso gesto

fraterno abraço
Mel

Lídia Borges disse...


A Mel tem uma poética de encher corações.

Um beijo

jrd disse...

Um belo e surpreendente poema.

Maria João disse...


Há poetas que transformam as palavras numa filigrana tão delicada, que nos surpreendem sempre de encanto e beleza.
A Mel é, inquestionavelmente, uma dessas poetas, e por ela tenho grande admiração, amizade e estima.

Excelente escolha!

Um abraço, Rogério

Graça Sampaio disse...

Muito, muito lindo! Adorei! Que belas amigas que o amigo Rogerito tem!... É só para quem merece...

Beijinhos poéticos.