18 janeiro, 2013

Construindo a visão... (3)


Os Zzzz´s próprios dos vespeiros eram inteiros e os olhares dos vespas se perdiam pela ornamentação dourada da bela sala, olhando as abóbadas do tecto, como que a inquirir a resposta: 
"e como fazer, sem que as abelhas acordem e se revoltem?"

Do lado direito, da fila primeira, logo da primeira cadeira, se levantou um vespa. Levava na mão uma pen que inseriu e mostrou um video que toda a assistência viu. Elevando a voz para que fosse ouvido de modo entendido, disse antes das imagens passarem: 
"Evitemos esta imagem voraz. Evitemos mostrar o que não deve ser mostrado, como hoje soubemos não deixar escutar o que foi dito. Alimentemo-nos das abelhas de forma menos evasiva, mais...persuasiva. Não esqueçam que temos a vantagem de sermos confundidos e tomados por salvadores e amigos... de estar a cumprir um desígnio...  de este sacrifício ser um imperativo e desse imperativo ter um único sentido: o do extermínio!"
 (findo o vídeo, o orador foi muito aplaudido e depois disso os vespas foram saindo)


Sabe-se que o que vai acontecer não será bem isto... o vídeo é a metáfora que faltava

9 comentários:

JP disse...

Quase que me apetecia dizer "sem comentários":))

Era, efetivamente a metáfora que faltava. Não serão tantos os que matam, serão muitos mais os que morrem, seguramente.

Sem imagens, pois então.

Abraço

quem és, que fazes aqui? disse...


E para que quereríamos as imagens?

"pensar o futuro" sem termos direito ao presente?

Beijinho

Laura

Rosa dos Ventos disse...

Uma democracia a fingir!

Maria João disse...



É tudo tão estranho...
mas será possível acreditar que existe democracia num país onde, numa conferência concebida para pensar o futuro, se impeça que quem não foi convidado saiba o que lá se pensou e o que lá se disse?

Nós, as abelhinhas, andamos entorpecidas, adormecidas, enganadas, atormentadas, desorientadas, famintas e submissas. As vespas andam a preparar-nos a emboscada há muito tempo, anestesiando-nos a nuca. Só assim se justifica que ainda acreditemos que é Democracia o que vivemos.

É tudo tão estranho...

Um abraço, Rogério

Maria João Brito de Sousa disse...

Muitíssimo directa, esta metáfora!

Não está na natureza da abelha render-se ou fugir e, neste caso, nada puderam fazer contra o invasor... mas lutaram até ao fim, pelo menos...


Abraço!

jrd disse...

Uma boa dose de shelltox e vais ver as vespas de barriga para o ar a espernear.

Isa GT disse...

... aqui e pela Europa fora... as vespas da União já mataram a vida de 26 milhões... o nº de desempregados.

Bjos

manuela baptista disse...

para pensar,

é preciso circulação de ar não condicionado

Manuela Araújo disse...

Uma metáfora totalmente bem conseguida! E isto com vespas normais, imagine com vespas transgénicas!!!
(tenho para mim que há para aí ninhos vespeiros transgénicos)