15 janeiro, 2013

Construindo a visão...


- Que está a pensar com esse olhar tão fixo?
- Espero que a abelha saia dali e me liberte o material para eu poder pensar no que está a acontecer...
- Não percebo!, diga-me isso de outra maneira para que eu possa perceber!
- Estou à espera de poder usar o arame e reconstruir este momento que estamos vivendo...
- Com o arame constrói o pensamento para poder ter a visão do momento?... Olhe, a abelha já voou... Não se importa de eu ficar a ver como constrói a realidade trabalhando o arame?
- Fique. Veja só: pega-se assim, firmemente. Depois vai-se fazendo um pequeno arco, lentamente... mas com força. Repete-se o procedimento e surge aqui à frente outro arco quase igual. Repete-se, e assim sucessivamente, vamos desenvolvendo ciclos e ciclos com o arame...
- Faz muita força de dedos nessa manipulação?
- Neste ponto, já não... e é isso mesmo o que queria perceber... ao principio, para fazer cada ciclo, foi preciso, agora o próprio arame vai-se pondo a jeito... parece estar viciado e isso favorece a forma que lhe vou dando...
- Percebo! A partir de um dado momento os ciclos desenvolvem-se com o vício da forma inicial que foi dando...
- Isso mesmo! O arame, depois de bem manipulado, quase que automaticamente assume a forma pretendida... é uma espiral... parece uma mola, só que não impulsiona nada. Fica como a vê aqui, parada.
- Olhe, está-se a acabar o arame!...
- Vou passar a fazer círculos de diâmetro mais reduzido. Acho que chegámos ao ponto em que estamos agora...
- Mas... está a voltar atrás?
- Passámos os ciclos viciosos e, à falta de arame... digamos que temos que voltar atrás e reduzir os ciclos que tinham sido maiores. Passo a fazer ciclos recessivos... e, à frente, a fazer ciclos mais reduzidos...
- ...que vão parar?
- Quando não houver mais arame!
- O fim está à vista... foi excelente este exercício! Mas como é que saímos disto?
- Neste momento vamos a tempo... É sair destes ciclos e endireitar o arame... mas com o vício...
- Com o vício?... 
- Só à martelada!
- Acho que é uma boa solução. Procuremos o martelo, então.

(saíram os dois, procurando o martelo)

11 comentários:

Graça Sampaio disse...

Por acaso também concordo: só mesmo à martelada é que vamos lá!...

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Excelente alegoria.Sim, só mesmo à martelada, porque de outro jeito, continuaremos em círculos. Muito pouco seguros, aliás...

São disse...

Desculpa, esqueceste-te de mim, que também fui buscar um martelo e dos grandes!

Abraços

jrd disse...

Queres tu dizer: O arame "foi-se" e o martelo precisa-se...

Kátia Nascimento disse...

O problema p maioria, é justamente esse, meu caro... Achar o martelo! Muitos procuram uma eternidade, sem perceber q o martelo estava perto o tempo todo. Abraços!

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Rogério

Eu acho que nem à martelada isto vai, talvez com uma marreta no sítio certo.
Adorei o texto muito bom mesmo e com muitas entrelinhas.


Um beijinho
Sonhadora

JP disse...

Excelente. E também acho que só mesmo à martelada....mas no "local" certo.....

Mas acho que ainda vamos fazer mais círculos/ciclos, ai vamos vamos. A menos que haja martelada já:)

Rogério,
Eu percebi lá na Pena e já agradeci. Fiquei orgulhoso pela honra que me concedeste ao escolher o meu post.

Só não comentei aqui porque achei....quer dizer, fiquei com vergonha na verdade:)

Abraço

Fê Blue bird disse...

O meu martelo já está aqui prontinho a actuar :)

Excelente!!!

beijinho

MARILENE disse...

Você é muito criativo. Até uma crítica consegue fazer bem humorada. Abraços

Maria João Brito de Sousa disse...

Eu tenho muitos, muitos sonetos heróicos em "martelo galopado". Pelo sim, pelo não, já os ando a distribuir por aí... :)

Gostei imenso!:)

Lídia Borges disse...


Para já não sei como uma coisa destas me foi escapar. Trabalhar assim o "arame" é coisa de muita arte.

Um beijo